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Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Atualizado em 17/02/2017 às 09:19

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Foto: Alexandre C. Mota

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, deve sua construção à iniciativa do bandeirante Antônio Dias, em 1699, nos primeiros anos de povoamento da região, com a descoberta do ouro. O templo original foi substituído por uma nova edificação em 1724, pois o crescimento do número de fiéis fez com que a primeira capela se tornasse pequena.

O arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi enterrado nesta igreja, provável local de seu batismo. Seus restos mortais estão à frente do altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Aleijadinho é considerado o mais importante artista do período colonial brasileiro. Ganhou o apelido por volta dos 40 anos de idade, quando passou a andar com dificuldade em conseqüência de uma doença que deformou suas pernas e mãos. A limitação não o impediu, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais, como Sabará, Mariana e Congonhas. Em Ouro Preto, exemplos do trabalho do artista também podem ser encontrados na igreja de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição abriga o Museu do Aleijadinho, que exibe as obras do artista. O acervo conta ainda com documentos sobre a vida de escultor.

Os altares invocam são José, são Sebastião, santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, Nossa Senhora da Boa Morte, são João Batista, são Gonçalo e são Miguel e Almas. No altar-mor, há representações de roca de santa Bárbara e são João Nepomuceno. E, ao fundo, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na capela-mor, estão representados temas do Evangelho. No forro, vêem-se símbolos eucarísticos, como cachos de uva e hóstia. Nas laterais, imagens de fé (cruz e cálice) e esperança (cruz e âncora). Nas extremidades, os quatro evangelistas, João, Mateus, Lucas e Marcos.

Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, também foi enterrada na igreja em 1853, mas seu túmulo foi transferido depois para o Museu da Inconfidência. Ela foi a musa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que, inspirado por este amor, escreveu o livro Marília de Dirceu, publicado entre 1792 e 1799.

A arquitetura e alguns elementos de sua ornamentação repetem traços das igrejas Matriz do Pilar e de Nossa Senhora do Carmo, segundo especialistas, obras contemporâneas à sua construção. Altares e capela-mor são exemplos da influência destas outras igrejas, assim como a estrutura arquitetônica. Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de Santuário Arquideocesano da Imaculada Conceição.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/141 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e no Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000)