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Turismo

Passo da Flagelação e Coroação de Espinhos

As imagens da flagelação e coroação de Jesus Cristo fazem parte dos evangelhos, ressaltando a dor e a humilhação que lhe foram impostas pelo procurador Pôncio Pilatos. “Ecce homo” (“Eis o homem”) — eis o que disse Pilatos ao apresentar Jesus à multidão, depois do julgamento. A flagelação com chicote era castigo previsto pela lei hebraica e empregada em particular antes de uma crucificação, para enfraquecer o condenado e diminuir sua resistência. Logo depois de pronunciada a condenação, os soldados romanos puseram uma coroa de espinhos na cabeça de Cristo, misto de crueldade e zombaria para quem era chamado de rei dos Judeus.

Em Congonhas (MG), os Passos da Flagelação e Coroação de Espinhos fazem parte de um conjunto de 66 peças de autoria do escultor, arquiteto e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e do pintor Manoel da Costa Athaíde. O Cristo está representado de pé, com as mãos atadas por uma corda que as prende ao anel da coluna baixa colocada à sua frente. Nesta capela, são atribuídas a Aleijadinho apenas as duas imagens do Cristo.

Segundo os especialistas, esta coluna não é produto exclusivo da imaginação de Aleijadinho. Apesar de não serem mencionadas em nenhum dos textos evangélicos, existem duas colunas da flagelação, uma em Roma e outra em Jerusalém, que foram veneradas como relíquias importantes desde os primórdios da era medieval. O Cristo de Aleijadinho, embora atado à coluna baixa, mantém-se ereto e firme como os Cristos medievais.

Dos cinco carrascos, apenas dois se ocupam em açoitar Jesus Cristo, atitude que pode ser verificada pela posição do braço direito levantado acima da cabeça. Originalmente, deveria haver um chicote ou objeto semelhante, já desaparecido. Ao fundo, um soldado segura a túnica da qual Cristo foi despojado.

No grupo da Coroação de Espinhos, composto por oito personagens, apenas as três imagens de primeiro plano têm participação definitiva na cena. Jesus está com um manto de púrpura e a coroa de espinhos na cabeça. Como reforço à significação temática da cena, um soldado segura a placa com a inscrição em latim INRI, cuja tradução é Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.

A capela do Passo da Flagelação e Coroação de Espinhos só começou a ser construída em 1864, mais de 50 anos depois do início da edificação do conjunto. Nessa época, decidiu-se pela edificação de apenas seis capelas, em vez das sete inicialmente previstas. Essa decisão provocou o congestionamento deste quarto passo, pois o espaço é pequeno para abrigar simultaneamente os dois grupos de imagens. No texto da inscrição, o nome do evangelista está em português: “Ecce Homo” (João, cap.19), “Eis o Homem”, na tradução.

No interior da capela, as cenas são independentes, separadas uma da outra por uma barra de madeira. Existe a impressão de desordem e confusão, causada pela falta de espaço, pois a capela foi projetada para alojar um único grupo. Das 14 peças do conjunto, mais da metade não tem função iconográfica precisa, o que dificulta a compreensão imediata da cena.

Fontes: Secretaria de Turismo de Congonhas e Dicionário Cultural da Bíblia (Edições Loyola, 1998)

Passo da Prisão

De acordo com as narrativas cristãs, a prisão de Jesus se dá no jardim de Getsêmani, próximo ao Monte das Oliveiras, onde se encontrava com seus apóstolos. Judas apareceu com um destacamento da guarda romana, com tochas, espadas e bastões. Jesus foi agarrado e preso. O apóstolo Pedro desembainhou a espada e cortou a orelha de um servo, de nome Malco. Jesus, então, ordenou a Pedro que a guardasse de volta, dizendo: “Todos que pegam a espada pela espada perecerão”.

O episódio de Malco foi o escolhido para o Passo da Paixão, obra do escultor, arquiteto e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e do pintor Manoel da Costa Athaíde, em Congonhas (MG). Oito personagens compõem o grupo da prisão na capela de Congonhas: Jesus, Pedro, Malco, Judas e quatro soldados. Num gesto instintivo de defesa, Pedro derruba um dos guardas que tentava se aproximar de Jesus e decepa-lhe a orelha com a espada. Cristo ordena a Pedro que reponha a arma na bainha e avança em direção à vítima para curá-la.

No evangelho, a vítima é identificada como sendo Malco, servo do pontífice máximo de Jerusalém. Na cena de Aleijadinho e Athaíde, Malco jaz de joelhos, enquanto Judas, em posição de recuo, contempla a cena. Ao fundo, os quatro soldados romanos observam, prontos para agir. O uniforme militar da guarda romana sofre algumas adaptações, como a substituição de sandálias por botas e calções visíveis por baixo das túnicas.

Como a cena se passa à noite, Aleijadinho dotou os soldados de archotes (fachos de luz usado para iluminação), além das lanças e espadas. Neste grupo, nota-se já uma intensa intervenção de auxiliares de Aleijadinho, e apenas as imagens de Cristo e de São Pedro podem ser consideradas como inteiramente esculpidas pelo artista.

A capela da Prisão, do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, foi construída contemporaneamente à do Horto, com a qual apresenta características bem próximas. O que difere nas duas edificações é seu formato, cujo contorno se torna sinuoso no Passo da Prisão, adaptando-se melhor ao arco da verga. A inscrição em latim tem a seguinte tradução: “Como se eu fosse um ladrão com espadas e varapaus, viestes prender-me”, também sem referência ao evangelista.

Dois aspectos essenciais distinguem este trabalho de Aleijadinho. É visível a sua superioridade do ponto de vista formal e a presença de determinados traços bem marcantes, característicos do artista. Os mais freqüentes são o “planejamento anguloso”, comparado pelo historiador francês Germain Bazin ao dos escultores alemães do século 16, e alguns aspectos da forma dos corpos de suas esculturas. O conjunto de imagens do Passo da Prisão é, entre todos, o mais homogêneo. Suas características são bem definidas e todas as peças são próximas do estilo do artista.

Como nos dois Passos anteriores, a policromia de Manoel da Costa Athaíde funciona como principal agente de unidade estética. As imagens de Cristo, Pedro e Judas receberam as mesmas cores da Ceia e do Horto, e o tom mais claro da túnica do Cristo é devido, segundo estudiosos, ao desgaste das tintas.

Fontes: Secretaria de Turismo de Congonhas e Dicionário Cultural da Bíblia (Edições Loyola, 1998)

Passos da Subida ao Calvário

Para ilustrar o caminho de Jesus Cristo pelo Monte Calvário, em direção à crucificação,  o escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, escolheu o episódio do encontro com as filhas de Jerusalém, relatado pelo evangelista Lucas (cap. 23, v. 27). É o tema do Passo da Subida do Calvário, em Congonhas (MG), no santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

O conjunto de imagens fica mais próximo da esplanada que antecede a escadaria do santuário. É a penúltima capela da série e intitulada Passo da Subida ao Calvário. As figuras do arauto tocando trombeta e a do soldado, bem como a posição de marcha da maioria das imagens, indicam que a composição da cena está centrada na idéia de um cortejo.

Subida do Calvário

Num momento de pausa na marcha, Cristo se volta para falar com duas mulheres que o seguiam. Uma delas faz menção de enxugar suas lágrimas, enquanto a outra segura nos braços a figura de um menino. Esta personagem se veste à moda setecentista das mulheres do povo, tema bastante comum nos presépios baianos e portugueses no período. As únicas figuras neste grupo atribuídas inteiramente a Aleijadinho são a de Cristo e a da mulher que lhe enxugou as lágrimas.

Entre os componentes do grupo desta capela, encontram-se dois casos de transferência de imagens. Um menino com um cravo na mão, transferido na restauração de 1957 da capela da Crucificação para este Passo, e uma das figuras de soldado, identificável pela policromia análoga à dos soldados do grupo da Flagelação e Coroação.

Ambas as transferências são confirmadas pelo primeiro inventário detalhado dos Passos, elaborado em 1875, que registra um total de nove imagens apenas para o grupo Subida ao Calvário, duas a menos que atualmente. Essas transferências se justificaram por razões iconográficas e ambientais, uma vez que tanto o menino colocado à frente de Cristo quanto ao soldado se integram perfeitamente ao conjunto deste Passo.

Construída entre 1867 e 1875, a capela se diferencia das demais pela simplificação da cartela acima da porta, reduzida a um painel retangular com inscrição em latim, com a seguinte tradução: “Tomando sobre si a cruz” (João, cap.17, v.19). A policromia é diferente de todos os outros Passos e apresenta características próprias. A ausência de referências documentais impede a identificação do autor da policromia.

Fonte: Secretaria de Turismo de Congonhas

Passos do Horto

A capela do Passo do Horto, no santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), representa o tema da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras, inscrito na paixão de Cristo de acordo com o relato dos evangelistas. Jesus foi com seus apóstolos ao Jardim de Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras. Afastou-se deles e foi tomado de grande angústia — um suor de sangue cobriu seu corpo e um anjo veio reconfortá-lo.

A escolha do texto de Lucas, como fonte de inspiração para a concepção geral da cena, é evidenciada tanto pela presença do Anjo, mencionado apenas por este evangelista, como também pela atitude do Cristo de joelhos, braços abertos em gesto de súplica ardente, a fronte porejada de gotas de sangue. Diz o texto: “E veio-lhe um suor de gotas de sangue...” (Lucas, cap. 22, v. 44.).

Na parte superior da porta da capela do Passo do Horto, em Congonhas (MG), uma cartela permite que se leia: “E tendo caído em agonia, orava com mais instância” (em tradução do latim). A dramaticidade da cena vem em grande parte do contraste entre a expectativa angustiante do Cristo e a serenidade tranqüila do sono dos apóstolos Pedro, Tiago e João, escolhidos para secundar o mestre nesse momento.

A composição da cena, do ponto de vista plástico, divide-se em três níveis. Em plano superior, um Anjo, e em nível intermediário, a figura de Cristo ajoelhado. Em plano inferior, encontram-se estátuas dos apóstolos adormecidos. Essa distribuição triangular se adapta perfeitamente à unidade dramática e psicológica da cena, pois o olhar do expectador passa naturalmente da figura do Cristo à do Anjo, eixo central da composição, em diagonal com a parede esquerda, onde está o Anjo, e a horizontal, formada pelas figuras reclinadas dos apóstolos.

As imagens, de excelente execução e perfeito acabamento, formam um conjunto harmônico. A aparente rigidez do corpo do Anjo é traço usual no estilo de Aleijadinho, que, habituado aos relevos parietais, encontrava dificuldades em certos temas, que exigiam desenvolvimento pleno de formas no espaço. Merece destaque a policromia do pintor Manoel da Costa Athaíde, em particular para o suor de sangue que brota na fronte de Cristo.

A capela do Passo do Horto fica do lado esquerdo da rampa do santuário e teve sua construção realizada entre 1813 e 1818. Em comparação com a Ceia, revela uma reformulação em seu estilo arquitetônico original, destinada a modernizar as capelas, de acordo com novas concepções de estética no início do século 19. Nota-se o novo modelo da porta, de proporções esguias e decoração de ovos perolados, com grades de ferro, entre outros aspectos.

Fonte: Secretaria de Turismo de Congonhas e Dicionário Cultural da Bíblia (Edições Loyola, 1998)

Ponte da Barra

Ponte da Barra

Fonte: Alexandre C. Mota

Arrematada em 1806, a obra-de-arte é toda feita em alvenaria de pedra e foi construída para substituir a antiga ponte, destruída pelas chuvas.

Feita de pedra em argamassa com dois arcos em cantaria, aduelas bem aparelhadas, apoiados em dois pilares laterais e um central assentado num corta-água, que divide as águas do rio Funil. Todo esse conjunto está baseado em sólidos alicerces.

Fonte: Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais.

 

Ponte da Cadeia

Ponte da Cadeia

Foto: Alexandre C. Mota

Um dos mais conhecidos marcos da cidade de São João del Rei (MG), a ponte da Cadeia impõe-se na paisagem urbana com seus arcos e muradas de pedra, próxima da atual sede da Prefeitura Municipal. A construção se deu em 1797, depois que a antiga obra, feita de madeira, ruiu durante a passagem de uma procissão. Fez-se então a nova ponte com pedra, a primeira a utilizar este tipo de material na cidade. Erguida sobre o córrego do Lenheiro, foi inaugurada em 1849.

A iniciativa coube ao Senado da Câmara, órgão que reunia funções legislativas e de administração pública no período colonial. Outro motivo para a sua construção foi o fato de se ligar à rua da Intendência, a de maior comércio e de maior utilidade ao público naquele tempo. De acordo com as instruções da época, exigia-se a edificação "em pedra e cal (...) com três arcos de 32 palmos cada um".

O seu nome se originou após a transferência da cadeia da cidade para o subsolo da Casa da Câmara, hoje prefeitura. Muito embora, em 1926, uma lei do município lhe tenha mudado o nome para ponte Municipal, a obra ainda é conhecida como ponte da Cadeia. É formada por três arcos e tem uma cruz em pedra no meio do arco central.

Fontes: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981) e São João del Rei na História de Minas e do Brasil (Editora Expressão e Cultura, 1986)

Ponte de Antônio Dias

 

Ponte de Antônio Dias

Foto: Alexandre C. Mota

A ponte de Antônio Dias é a mais importante de Ouro Preto (MG), pela sua localização, tamanho e harmonia de proporções. Foi construída entre 1745 e 1757, em alvenaria de pedra, em dois arcos iguais de 5 metros de vão e 7,40 metros de altura. Situa-se no largo do Dirceu, sobre o córrego da Sobreira.

O nome da ponte é homenagem ao bandeirante paulista Antônio Dias. De acordo com narrativas da época, ele teria avistado pela primeira vez o pico do Itacolomi, em 1698, local onde hoje existe a cidade. O pico era a referência que a expedição tinha dos relatos de garimpeiros que haviam encontrado "ouro preto" - nome dado às pedras com a superfície escura que, depois, se revelavam na sua cor dourada - no ribeirão Tripuí, atual Funil. Após a descoberta, Antônio Dias e sua bandeira se estabeleceram na região e foram os primeiros povoadores de Ouro Preto.

A ponte de Antônio Dias é composta de dois paredões interrompidos pelos dois arcos plenos (arcos em semicircuferência), tendo ao centro um pequeno terreno circular e cruz de cantaria sobre pedestal. Nos extremos, há quatro pilastras de cantaria, encimadas por pirâmides. As águas, que descem dos morros de São Sebastião e Pascoal da Silva, correm apenas sob um dos arcos.

A ponte dá acesso a outro monumento importante de Ouro Preto, o chafariz de Marília, chamado assim em homenagem a Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Nos anos que antecederam a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, Marília foi musa do desembargador e poeta Tomás Antônio Gonzaga, um dos líderes do movimento e autor de versos apaixonados, dedicados a ela. A ponte surge na estrofe de uma das mais famosas Liras do poeta, a de número 37. O caminho para chegar à casa de Marília foi igualmente reconstruído pelo poeta Manuel Bandeira (1886-1968), em seu Guia de Ouro Preto. A estrofe de Gonzaga com referências à ponte é a seguinte:

Toma de Minas a estrada,
Na Igreja nova, que fica
Ao direito lado, e segue
Sempre firme a Vila Rica.

Entra nesta grande terra,
Passa por uma formosa ponte,
Passa a segunda, a terceira
Tem um palácio defronte.

A formosa ponte é a do Rosário. A segunda é a ponte dos Contos, próxima a outra construção histórica, a Casa dos Contos. E a terceira é a ponte de Antônio Dias, chamada também de Marília por levar à casa da homenageada, o palácio defronte.

A ponte de Antônio Dias passou, em 2003, por obras de recuperação do Projeto Monumento, do Ministério da Cultura. Monumenta é o programa de recuperação sustentável do patrimônio histórico urbano brasileiro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Fontes: Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais (Organização Wladimir Alves de Souza, 1984, Editora Expressão e Cultura), Projeto Monumenta, Câmara Municipal de Ouro Preto e Guia de Ouro Preto (Manuel Bandeira, 1938, Ediouro)

Praça da Estação

Praça da Estação
Foto: Alexandre C. Mota


A praça da Estação está ligada à construção de Belo Horizonte, fundada em 1897 para ser a nova capital de Minas Gerais, em substituição a Ouro Preto. Erguida em 1904, a estação ferroviária era a porta de entrada para os materiais e equipamentos destinados às obras da nova cidade. Oficialmente, seu nome é praça Rui Barbosa, em homenagem ao grande jurista e político baiano.

Dispõe de uma ampla área livre, de 12 mil metros quadrados, com dois conjuntos de fontes enormes, que brotam do piso sem formação de lago, e iluminação especial de 12 postes laterais. Esses recursos permitem a utilização da área livre para manifestações culturais e políticas, uma tradição no local desde os anos 1970.

A praça adquiriu o perfil atual com as obras de sua reforma, em 2003, que incluíram a instalação de piso em concreto avermelhado. A pintura do prédio principal da estação, em tons ocre e cinza, deu destaque à torre do relógio e enfatizou as esculturas brancas de figuras femininas no topo um conjunto que termina com uma elegante cúpula encimada por uma flecha.

No largo em frente ao prédio da estação, encontra-se a estátua Monumento à Terra Mineira, obra em bronze de 1930, de autoria do escultor e arquiteto italiano Júlio Starace. O monumento retrata a conquista de Minas Gerais pelos bandeirantes e homenageia os mártires de Inconfidência - principal movimento contra a Coroa portuguesa. No alto, um homem com a bandeira de Minas Gerais representa o Estado. Ele está de frente para a estação, como a dar as boas-vindas a quem desembarca. Abaixo, há uma inscrição em latim, Montani Semper Liberti (a montanha sempre está livre, na tradução).

No bloco de sustentação, quatro painéis em bronze completam a obra. À frente, representa-se o expedicionário Bruzzo Spinosa. À direita, está o martírio do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira e executado na forca, em 1792, no Rio de Janeiro. À esquerda, fica o martírio do minerador Filipe dos Santos, líder de uma revolta contra a Colônia em Ouro Preto, em 1720, também condenado à morte. Na parte de trás, vê-se o bandeirante Fernão Dias Paes, que ajudou a desbravar as terras de Minas Gerais.

Desde cedo, a região onde a praça se localiza, no centro da cidade, tornou-se um importante pólo de comércio, sede de pequenas indústrias e área de grande concentração de hotéis e pensões. Com o crescimento da cidade, uma nova estação foi construída no local, em 1922. Em 1936, instalou-se a fonte luminosa Independência, durante muito tempo uma atração para os moradores e visitantes da capital.

Ao longo do século 20, o processo de modernização e urbanização de Belo Horizonte impôs alterações ao projeto da estação. Os jardins foram reduzidos, para dar espaço a novas ruas e avenidas, e estátuas foram transferidas de local. A reforma recente, porém, buscou devolver à praça da Estação a importância que ocupou na história da cidade.

Em 2005, o Museu de Artes e Ofícios foi fundado na Estação Central, com o intuito de preservar a memória do trabalho e das relações sociais no Brasil. O museu é um projeto do Instituto Cultural Flávio Gutierrez e recebeu como acervo a coleção da empresária Angela Gutierrez. Este acervo conta com mais de 2.147 peças dos séculos 17 ao 20, coletadas em oficinas, sítios e cozinhas, em áreas urbanas e zonas rurais. A coleção é dividida em 14 áreas temáticas, cada uma representando um setor de trabalho.

O entorno da praça exibe um destacado conjunto arquitetônico, que abriga o Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, a Casa do Conde de Santa Marina e a Serraria Souza Pinto. A estação abriga hoje, além de um ramal ferroviário, uma linha do metrô.

Fontes: Prefeitura de Belo Horizonte, Belotur e Museu de Artes e Ofícios

Praça da Estação

Praça da Estação

Foto: Alexandre C. Mota

A praça da Estação está ligada à construção de Belo Horizonte, fundada em 1897 para ser a nova capital de Minas Gerais, em substituição a Ouro Preto. Erguida em 1904, a estação ferroviária era a porta de entrada para os materiais e equipamentos destinados às obras da nova cidade. Oficialmente, seu nome é praça Rui Barbosa, em homenagem ao grande jurista e político baiano.

Dispõe de uma ampla área livre, de 12 mil metros quadrados, com dois conjuntos de fontes enormes, que brotam do piso sem formação de lago, e iluminação especial de 12 postes laterais. Esses recursos permitem a utilização da área livre para manifestações culturais e políticas, uma tradição no local desde os anos 1970.

A praça adquiriu o perfil atual com as obras de sua reforma, em 2003, que incluíram a instalação de piso em concreto avermelhado. A pintura do prédio principal da estação, em tons ocre e cinza, deu destaque à torre do relógio e enfatizou as esculturas brancas de figuras femininas no topo um conjunto que termina com uma elegante cúpula encimada por uma flecha.

No largo em frente ao prédio da estação, encontra-se a estátua Monumento à Terra Mineira, obra em bronze de 1930, de autoria do escultor e arquiteto italiano Júlio Starace. O monumento retrata a conquista de Minas Gerais pelos bandeirantes e homenageia os mártires de Inconfidência - principal movimento contra a Coroa portuguesa. No alto, um homem com a bandeira de Minas Gerais representa o Estado. Ele está de frente para a estação, como a dar as boas-vindas a quem desembarca. Abaixo, há uma inscrição em latim, Montani Semper Liberti (a montanha sempre está livre, na tradução).

No bloco de sustentação, quatro painéis em bronze completam a obra. À frente, representa-se o expedicionário Bruzzo Spinosa. À direita, está o martírio do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira e executado na forca, em 1792, no Rio de Janeiro. À esquerda, fica o martírio do minerador Filipe dos Santos, líder de uma revolta contra a Colônia em Ouro Preto, em 1720, também condenado à morte. Na parte de trás, vê-se o bandeirante Fernão Dias Paes, que ajudou a desbravar as terras de Minas Gerais.

Desde cedo, a região onde a praça se localiza, no centro da cidade, tornou-se um importante pólo de comércio, sede de pequenas indústrias e área de grande concentração de hotéis e pensões. Com o crescimento da cidade, uma nova estação foi construída no local, em 1922. Em 1936, instalou-se a fonte luminosa Independência, durante muito tempo uma atração para os moradores e visitantes da capital.

Ao longo do século 20, o processo de modernização e urbanização de Belo Horizonte impôs alterações ao projeto da estação. Os jardins foram reduzidos, para dar espaço a novas ruas e avenidas, e estátuas foram transferidas de local. A reforma recente, porém, buscou devolver à praça da Estação a importância que ocupou na história da cidade.

Em 2005, o Museu de Artes e Ofícios foi fundado na Estação Central, com o intuito de preservar a memória do trabalho e das relações sociais no Brasil. O museu é um projeto do Instituto Cultural Flávio Gutierrez e recebeu como acervo a coleção da empresária Angela Gutierrez. Este acervo conta com mais de 2.147 peças dos séculos 17 ao 20, coletadas em oficinas, sítios e cozinhas, em áreas urbanas e zonas rurais. A coleção é dividida em 14 áreas temáticas, cada uma representando um setor de trabalho.

O entorno da praça exibe um destacado conjunto arquitetônico, que abriga o Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, a Casa do Conde de Santa Marina e a Serraria Souza Pinto. A estação abriga hoje, além de um ramal ferroviário, uma linha do metrô.

Fontes: Prefeitura de Belo Horizonte, Belotur e Museu de Artes e Ofícios

Praça da Liberdade

 

Praça da Liberdade

Foto: Alexandre C. Mota

Um dos passeios mais agradáveis de Belo Horizonte, a praça da Liberdade consegue unir a austeridade dos prédios públicos à sua volta com a presença sempre descontraída de centenas de pessoas que fazem ali suas caminhadas de dia ou de noite, percorrendo sua via lateral em trajes esportivos entre os canteiros arborizados. Palco de acontecimentos políticos importantes na história de Minas Gerais, está localizada em frente ao Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, em uma área de 35 mil metros quadrados.

Palmeiras imperiais cortam o centro da praça, formando uma alameda direcionada para o portão principal de entrada do palácio. O conjunto traz jardins com gramado, árvores e plantas das mais diversas cores e espécies, flores, fontes, monumentos, bustos e um coreto em estrutura metálica.

A construção da praça da Liberdade data da época da fundação da nova capital mineira, entre 1895 e 1897. Foi implantada numa esplanada artificial, obtida por meio de cortes e aterros no antigo Alto da Boa Vista, para adequar o local ao traçado urbanístico proposto. Na geografia inicial da cidade, ficaria assim em uma posição elevada e estratégica para abrigar o novo palácio-sede do governo estadual.

No traçado geométrico inicial, a planta de Belo Horizonte continha três áreas concêntricas: urbana, suburbana e rural. A área urbana foi delimitada por uma avenida circundante, a avenida do Contorno, e teve seu interior organizado em uma malha em xadrez. A praça da Liberdade ocupa lugar de irradiação nesse traçado, como símbolo urbanístico do centro do poder.

O tratamento paisagístico original seguiu a feição dos jardins ingleses, mais livres na distribuição da vegetação, a cargo do arquiteto-paisagista Paul Villon. Uma reforma realizada em 1920, para a visita dos reis belgas a Belo Horizonte, eliminou todos os vestígios daquele estilo, que, no entanto, subsistiu nos jardins dos fundos do Palácio da Liberdade.

Na praça, o traçado original na linha inglesa foi substituído pelo - ainda hoje existente - modelo de inspiração francesa. O novo projeto, encomendado à empresa paulista Dieberger & Companhia e assinado pelo arquiteto-paisagista Reginaldo Dieberger, introduziu o geometrismo no traçado dos jardins, cujos contornos foram acentuados pela arte topiária (técnica de dar formas diversas às plantas).

Em 1969, suprimiu-se o tráfego de veículos na alameda central e o traçado dos jardins ganhou fontes, espelhos d'água, cascata e vegetação intensa. Na década de 1980, novas intervenções foram realizadas. Em 1991, a Prefeitura de Belo Horizonte restaurou a praça da Liberdade e retomou o traçado original dos anos 1920. O projeto de restauração esteve a cargo da equipe da arquiteta Jô Vasconcelos.

O conjunto da praça da Liberdade espelha a evolução da arquitetura na cidade, dos estilos neoclássico e eclético, da virada do século 19, ao pós-moderno. Além do Palácio da Liberdade, podem ser vistos os prédios antigos das seguintes secretarias de Estado: Fazenda, Educação, Segurança e Viação e Obras Públicas. O modernismo está presente nas curvas do edifício Niemeyer, projetado por Oscar Niemeyer e bem destacado em um dos lados da praça.

No local, encontram-se também o Palácio Cristo Rei, o Solar Narbona, a Biblioteca Pública Estadual Professor Luís de Bessa, a sede do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), a Reitoria da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), o edifício Mape, o Palácio dos Despachos e o comando da Polícia Militar. Um dos edifícios se destaca pela ousadia arquitetônica, com projeto do arquiteto Éolo Maia: o Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães, batizado popularmente de Rainha da Sucata, pela mescla de materiais empregados em sua construção pós-moderna.

Fontes: Corredor Cultural Praça da Liberdade - Inventário Qualitativo, Escritório de Arquitetura Maia Arquitetos & Associados e Belotur