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Turismo

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Foto: Alexandre C. Mota

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, deve sua construção à iniciativa do bandeirante Antônio Dias, em 1699, nos primeiros anos de povoamento da região, com a descoberta do ouro. O templo original foi substituído por uma nova edificação em 1724, pois o crescimento do número de fiéis fez com que a primeira capela se tornasse pequena.

O arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi enterrado nesta igreja, provável local de seu batismo. Seus restos mortais estão à frente do altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Aleijadinho é considerado o mais importante artista do período colonial brasileiro. Ganhou o apelido por volta dos 40 anos de idade, quando passou a andar com dificuldade em conseqüência de uma doença que deformou suas pernas e mãos. A limitação não o impediu, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais, como Sabará, Mariana e Congonhas. Em Ouro Preto, exemplos do trabalho do artista também podem ser encontrados na igreja de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição abriga o Museu do Aleijadinho, que exibe as obras do artista. O acervo conta ainda com documentos sobre a vida de escultor.

Os altares invocam são José, são Sebastião, santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, Nossa Senhora da Boa Morte, são João Batista, são Gonçalo e são Miguel e Almas. No altar-mor, há representações de roca de santa Bárbara e são João Nepomuceno. E, ao fundo, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na capela-mor, estão representados temas do Evangelho. No forro, vêem-se símbolos eucarísticos, como cachos de uva e hóstia. Nas laterais, imagens de fé (cruz e cálice) e esperança (cruz e âncora). Nas extremidades, os quatro evangelistas, João, Mateus, Lucas e Marcos.

Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, também foi enterrada na igreja em 1853, mas seu túmulo foi transferido depois para o Museu da Inconfidência. Ela foi a musa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que, inspirado por este amor, escreveu o livro Marília de Dirceu, publicado entre 1792 e 1799.

A arquitetura e alguns elementos de sua ornamentação repetem traços das igrejas Matriz do Pilar e de Nossa Senhora do Carmo, segundo especialistas, obras contemporâneas à sua construção. Altares e capela-mor são exemplos da influência destas outras igrejas, assim como a estrutura arquitetônica. Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de Santuário Arquideocesano da Imaculada Conceição.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/141 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e no Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000)

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

 

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Foto: Alexandre C. Mota

A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em São João del Rei (MG), teve sua construção iniciada em 1721, com a finalidade de substituir a capela do Pilar, erguida logo no início do povoamento, quando levas de mineradores e comerciantes acorreram à região com a descoberta do ouro. A capela havia sido incendiada durante a Guerra dos Emboabas, conflito armado que opôs mineradores procedentes de São Paulo e os de outras capitanias brasileiras, em disputa pelo direito de explorar a riqueza do minério.

A capela-mor é o ponto alto da igreja, com destaque para a decoração esculpida e dourada. Nas paredes laterais, sobressaem duas grandes telas, vindas de Portugal em 1732, representando as cenas Mesa do Senhor e O Senhor na Casa do Fariseu. Apresentam rica moldura dourada e são ladeadas por pilastras esculpidas, de onde saem figuras aladas de anjos.

O altar-mor traz colunas torsas (que representam o tronco humano) e ornamentação exuberante, com figuras de anjos e as imagens do Pai Eterno, a Pomba do Divino Espírito Santo e o Crucificado no alto, formando a Santíssima Trindade. Sobre o trono do altar, encontra-se a antiga imagem da padroeira. Destacam-se também os púlpitos, colocados entre os altares laterais.

A nave exibe talha pintada e dourada (talhas são obras de arte esculpidas na madeira). São seis altares com decoração em forma de planta e conchas e figuras de anjos. O forro da nave mostra uma pintura onde se vê a Virgem com o Menino, ambos coroados, envoltos por nuvens e querubins. Sobre o muro-parapeito estão as figuras dos Doutores da Igreja.

O edifício é todo construído em alvenaria de pedra. À frente do templo, por uma escadaria, chega-se a um pequeno pátio pavimentado por pedras e fechado por grades de ferro, com pilastras e portão. A fachada apresenta cinco portas de entrada, sendo a central mais larga e mais alta, e cinco janelas com balcões. Duas torres quadradas abrigam os sinos. A da esquerda tem um relógio ali colocado em 1905. Em ambas, sobressaem cúpulas em forma de pirâmide. Uma composição triangular (frontão) e uma cruz fecham a parte superior da fachada.

A iniciativa de construção da igreja coube a uma associação religiosa, a Irmandade do Santíssimo Sacramento. O templo ficava no local denominado Morro da Forca, um pouco afastado do centro da vila, já batizada de São João del Rei. Em princípios do século 19, a irmandade decidiu ampliar o corpo da matriz, tendo em vista o atendimento a uma população mais numerosa de fiéis. O risco da nova fachada (frontispício) foi então idealizado pelo arquiteto Manoel Victor de Jesus, em 1817, em substituição ao anterior, de autoria de Francisco Lima Cerqueira. A pintura do forro da capela-mor teve restauração em 1957 e 1958.

Fontes: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 1981), Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais (Wladimir Alves de Souza, 1984) e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Ouro Preto

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

Foto: Alexandre C.Mota

A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, atrai os visitantes em especial pelo fato de ser a mais rica em ouro na cidade, usado nos revestimentos dos altares e imagens, um reflexo da abundância do metal que marcou a história da antiga Vila Rica.

A origem da matriz remonta ao período do povoamento, no final do século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas, após a descoberta do ouro na região. Em data imprecisa, entre 1700 e 1703, teve início a construção da primeira Matriz do Pilar em taipa e madeira. Há registros da festa da Assunção de agosto 1710, quando a imagem da Virgem do Pilar, estofada de ouro, foi entronizada no altar-mor. Nesta mesma igreja, em 8 de julho de 1711, deu-se a reunião do governador Antônio de Albuquerque com os moradores locais mais influentes, para a criação daquela que veio a ser a Vila Rica. A localidade nascia, oficialmente então, e mantinha como padroeira a Virgem do Pilar.

Em 1728, os fiéis decidiram erguer um novo templo com mais capacidade e segurança, pois a igreja estava pequena, arruinada e em termos de cair. Atribui-se a autoria da planta ao sargento-mor e engenheiro Pedro Gomes Chaves. As obras tiveram início entre 1728 e 1730, sem data precisa. Neste ano, "alicerces de extraordinária grandeza" já haviam sido erguidos.

Em janeiro do ano seguinte, transferiram-se o Santíssimo Sacramento e as imagens para a capela da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, provisoriamente, enquanto se aguardava o fim da obra. Começando pela nave, os trabalhos duraram pouco tempo para os padrões da época. A matriz estava praticamente concluída em 1733, ano do Triunfo Eucarístico, procissão solene que marcou o traslado do Santíssimo Sacramento e das imagens para o novo templo.

No interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, há seis altares construídos, com as invocações a são Miguel e Almas, Sant'Ana, Senhor dos Passos, santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores. Foram erguidos por confrarias particulares. Os altares de santo Antonio e Nossa Senhora das Dores podem ter pertencido à primeira matriz. Os outros quatro seguem um estilo barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, conforme caracterizado pelo historiador francês Germain Bazin. São inteiramente dourados, assim como os dois púlpitos, em forma de balcões arredondados.

Painéis de pintura a óleo, feita diretamente sobre a madeira, decoram as paredes laterais e o forro da capela-mor. Nas paredes, estão representados os quatro evangelhos e as quatro estações do ano. No painel circular do centro da abóbada, vê-se uma representação da Última Ceia. No forro da nave, sobressaem-se 15 painéis com personagens e temas do Antigo Testamento. Grande número de imagens, consideradas de excelente qualidade, guarnece o altar-mor e os altares laterais.

A fachada atual da igreja data do século 19 e substituiu a original. Segundo Germain Bazin, o novo frontispício representa uma espécie de síntese daqueles estampados nas igrejas de 
São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Rosário.

Uma das atrações atuais da Matriz de Nossa Senhora do Pilar é o Museu da Prata. São dezenas de peças escultura, prataria, móveis e utensílios organizadas originalmente pelo vigário José Feliciano da Costa Simões.

Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/113 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975

Igreja Nossa Senhora das Mercês

Igreja Nossa Senhora das Mercês

Foto: Alexandre C. Mota

Por volta de 1760/1770 a Irmandade de Nossa Senhora das Mercês iniciou a obra de sua capela. Em 1790, acabamentos como a pintura e o douramento já estavam sendo feitos.

Sua fachada é simples com frontão composto por duas volutas, tendo no centro, d'armas da Irmandade. A sineira só vem a ser construída entre 1850 e 1860. No interior existe o altar-mor com talha rococó do final do século XVIII. O forro da nave é todo rodeado por um balcão onde estão representados os coros dos anjos e os dois santos fundadores da ordem: São Raimundo Nonato e São Pedro Nolasco. No centro, aparece a imagem de Nossa Senhora das Mercês entre nuvens e anjos. No forro da capela-mor, um painel com nove quadros representa a invocação de Ladainha de Nossa Senhora. Surgem imagens de São Pedro, Abraão, Isaac e Moisés com a tábua das leis. O arco cruzeiro e o retábulo foram pintados em cores vivas e com partes douradas por Manoel Victor de Jesus. No trono existem as imagens de Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora do Parto e São Gonçalo do Amarante. Nos nichos, São Raimundo e São Pedro Nolasco.

A Irmandade das Mercês, durante a época colonial, era reservada aos pretos nascidos no Brasil e aos mulatos principalmente, mas no século XIX tornou-se uma importante agremiação. No fim do século XIX o Bispo de Mariana, Dom Antônio de Sá e Benevides conseguiu a elevação da Irmandade a arquiconfraria, título que até hoje ostenta, sendo a única irmandade do século XVIII sobrevivente em Tiradentes.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro), 1981

Associação das Cidades Históricas

Manuel da Costa Athaíde

Nascido em Mariana (MG), o pintor Manuel da Costa Athaíde (1762 à 1830) é reconhecido como um dos mais importantes nomes da arte colonial brasileira, com suas obras decorativas monumentais em forros, paredes e quadros de mais de 20 igrejas construídas no século 17 na região de exploração do ouro. Trabalhou por mais de 30 anos ao lado de outro artista de importância elevada para o barroco, o arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A igreja de São Francisco de Assis (1812), projeto de Aleijadinho em Ouro Preto, possui aquela que é considerada sua obra-prima: a pintura do tema da Glorificação da Virgem no forro da nave. Este trabalho é "um dos exemplares mais perfeitos da pintura de perspectiva do período", segundo a Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural.

O primeiro trabalho de destaque de Athaíde está nas capelas dos Passos da Paixão e na igreja do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Entre 1781 e 1818, pintou as esculturas criadas por Aleijadinho nos Passos da Ceia, Prisão e do Horto, de um conjunto de 66 estátuas em madeira, dando-lhes vida e reforçando a expressão de seus personagens. Suas obras também podem ser vistas em igrejas de Itabira, Conceição do Mato Dentro, São José da Barra Longa, Canoas, Santa Bárbara e Itaverava.

Nascido em Mariana, Athaíde era filho de Luiz Costa Athaíde, um militar português, e de Maria Barbosa de Abreu. Foi ele quem introduziu a pintura em perspectiva e a ornamentação em rococó nos forros em Minas. Com os pintores Bernardo Pires da Silva, Antônio Martins da Silveira, João Batista de Figueiredo, entre outros, formou a chamada Escola de Mariana. Herdou de seu pai a tradição religiosa, fortemente marcada pela devoção. Esse aspecto influenciou sua obra, que buscou inspiração na hagiografia cristã (biografias de santos).

Sua obra revela referência aos modelos das bíblias e catecismos europeus, tendo transformado o aspecto solene dessas imagens em cenas de maior expressividade, em corpos mais volumosos. Outras das características de seu trabalho são o uso de cores vivas e a dotação em seus personagens de feições brasileiras. Na pintura do teto da nave da igreja de São Francisco de Assis, Nossa Senhora é mulata, inspirada em sua companheira. Em A Ceia (1828), do Colégio do Caraça, em Catas Altas (MG), os anjos têm como modelo seu filho natural e garotos de Vila Rica.

Em 1794, em Mariana, realizou o douramento do altar-mor da igreja de São Francisco de Assis. Pintou também os painéis da sacristia com representações da vida de são Francisco. Athaíde está enterrado nesta igreja.

Pai de quatro filhos, nunca se casou. Teve ainda carreira militar. Em 1818, requereu a dom João 6º a criação de uma escola de belas artes em Mariana. O monarca optou por instalar a instituição no Rio de Janeiro, hoje a atual Escola Nacional de Belas Artes. Na petição enviada ao rei, Athaíde escreveu: "Ninguém melhor que Vossa Majestade Real sabe quanto é útil a arte do desenho e arquitetura civil, e militar e da pintura: e que haja neste novo Mundo, principalmente nesta Capitania de Minas, entre a mocidade, homens hábeis de admirável esfera que desejam o estudo e praxe do risco". Em 1821, recebeu atestado de professor das "artes da arquitetura e da pintura".

Em Vida e Obra de Manoel da Costa Athaíde, o poeta Carlos Drummond de Andrade exaltou assim o trabalho da dupla de artistas. "Alferes de milícias Manoel da Costa Athaíde: eu, paisano, bato continência em vossa admiração. (...) Encontro-vos sempre caminhando mano a mano com o mestre mais velho Antônio Francisco Lisboa (...). Viveis os dois em comum o ato da imaginação e em comum o fixais em matéria, numa cidade após outra".

Fontes: Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural, Barroco Mineiro: Glossário de Arquitetura e Ornamentação (Coleção Mineiriana, Fundação João Pinheiro, 1996), Quem é Quem na História do Brasil (Editora Abril, 2000) e Manuel da Costa Ataíde "Aspectos Históricos, Estilísticos, Iconográficos e Técnicos" (Organização Adalgisa Arantes Campos, Editora C/Arte, 2005).

Maria Fumaça e Complexo Ferroviário

Maria Fumaça e Complexo Ferroviário

Foto: Alexandre C. Mota

A cidade de São João del Rei (MG) possui a única locomotiva movida a vapor em atividade no mundo com bitola estreita de 760 mm (bitola é a distância entre os trilhos de uma linha ferroviária). Chamada de Maria Fumaça e destinada ao transporte turístico de passageiros, a máquina pertence ao complexo ferroviário da cidade, inaugurado em 1881 pelo imperador d. Pedro 2º. A principal atração do complexo ferroviário, com área de 25 mil metros quadrados, é a linha turística entre São João del Rei e a vizinha cidade de Tiradentes, um percurso de 12 km que passa por fazendas centenárias, rios e montanhas.

O complexo passou por um trabalho de restauração a partir de 2001, quando a Ferrovia Centro-Atlântica, ligada ao grupo de empresas da Companhia Vale do Rio Doce, assumiu a sua administração. O projeto, que durou três anos, visou recuperar as características originais da Maria Fumaça, da estrada de ferro e das estações da linha turística. Revitalizou ainda o turismo entre São João e Tiradentes e o Museu Ferroviário. Até então, o trajeto entre as cidades históricas era realizado por apenas duas locomotivas. Hoje, quatro composições fazem o percurso.

A Estrada de Ferro Oeste de Minas, na qual o complexo está inserido, é considerada a primeira ferrovia de pequeno porte no País. Seu percurso iniciava-se na cidade de Sítio, atual Antônio Carlos, que estava ligada à Estrada de Ferro D. Pedro 2º (depois Central do Brasil), partindo daí para São João. Este trecho possuía a extensão de 100 km e percorria as estações de Barroso, São José e Tiradentes. A linha contava com quatro locomotivas, de procedência norte-americana. Todo o restante do material rodante foi construído nas oficinas da Estrada de Ferro D. Pedro 2º.

Por meio de uma série de concessões, a ferrovia se estendeu a outras cidades e ramais, de tal modo que, em 1894, já abrangia um percurso de 684 km. Em 1957, foi incorporada à Rede Ferroviária Federal S.A.

O complexo é formado por:

Prédios das estações de São João Del Rei e Tiradentes - Em São João del Rei, possui plataforma com cobertura estrutural de ferro. Abriga a oficina de manutenção, com as mesmas máquinas de operação da época da inauguração. Em Tiradentes, a estação é caracterizada pelas linhas simples, com cobertura em telha francesa e plataforma arrematada por lambrequins (tipo de ornamento em beiradas de telhados) de madeira.

Museu Ferroviário - Fica no anexo da estação de São João. Entre suas relíquias, está a primeira locomotiva da Estrada de Ferro Oeste de Minas, com a réplica do vagão utilizado por Pedro 2º. O acervo conta ainda com documentos históricos da cidade e da ferrovia e equipamentos ferroviários.

Rotunda - É o prédio com pátio em forma circular, onde 12 locomotivas ficam dispostas. É conhecido como "coliseu", devido à semelhança com os teatros romanos. Uma das locomotivas está cortada longitudinalmente para ajudar a compreensão de seu funcionamento. Do ponto de vista arquitetônico, é apresentada com edifício e telhado em forma diagonal, vãos em arco pleno e paredes em alvenaria de tijolos. Nela, estão guardadas diversas locomotivas e vagões.

Oficinas de manutenção - Possui máquinas centenárias de fabricação inglesa, em perfeito estado de conservação, que ainda hoje continuam dando assistência na reparação das locomotivas e vagões.

Almoxarifado e armazém - Os prédios foram totalmente restaurados e preparados para a instalação de um espaço para exposição de artesanato, um auditório e um centro de convenções.

Fontes: Museu Regional de São João Del Rei e Ferrovia Centro-Atlântica

Matriz de Santo Antônio

Matriz de Santo Antônio

A Matriz de Santo Antônio teve a sua construção iniciada em 1710, no lugar de uma pequena capela bandeirante. Considerada a segunda igreja mais rica em ouro do Brasil, é uma das obras-primas da arquitetura barroca em Minas Gerais.

A igreja foi construída sobre uma colina com grande aterro na parte fronteira.  Sua fachada, com duas torres bem desenhadas foi executada em taipa, tijolos e argamassa, inclusive os ornatos rococó. O projeto é de autoria de Aleijadinho.

Em seu adro pode ser visto um relógio do sol feito em pedra-sabão. Em uma das torres há outro relógio, este comprado em Portugal no ano de 1788.

Os altares possuem rica ornamentação, assim como a capela-mor. Toda ela remete ao mais rico barroco mineiro, com várias representações de símbolos eucarísticos e cenas do Antigo Testamento.

O interior de igreja guarda seis altares laterais e o altar-mor.

A talha da capela-mor é, sem dúvida, um dos melhores exemplares de talha barroca no Brasil e representa uma exceção no desenvolvimento da arte da talha em Minas Gerais, pelo seu tamanho e por suas formas inusitadas. O primeiro altar à direita de quem entra é dedicado a Nossa Senhora do Terço, o segundo a Nosso Senhor dos Passos e o terceiro dedicado a São Miguel Arcanjo. No primeiro altar do lado esquerdo existe uma imagem de Nossa Senhora da Piedade, com Cristo nos braços. O segundo é dedicado à descida do Senhor da Cruz e o terceiro dedicado à Imaculada Conceição.

O forro da nave da igreja, de autor desconhecido, tem dezoito quadros com símbolos bíblicos cercados de folhagens e grotescos em ouro. O assoalho da Matriz foi feito em óleo bálsamo em campas numeradas de 01 a 116. Nestas sepulturas estão enterradas pessoas de todas as classes sociais, desde nobres até escravos.

É famosa a prataria da igreja, principalmente as sete lâmpadas e os tocheiros do altar-mor.

As sacristias possuem imagens com os Passos de Cristo.

Um dos principais destaques da igreja é o órgão. No ano de 1786 a Irmandade do Santíssimo Sacramento, encomendou um órgão novo em Portugal, para substituir um pequeno órgão existente no coro da Matriz.  A parte mecânica chegou ao Brasil em agosto de 1788.

Um entalhador foi contratado para desenhar a caixa do órgão e um pintor foi contratado para fazer a pintura e o douramento.

Está localizado junto ao coro em base piramidal, com pinturas decorativas em vermelho e azul. Na base, a figura do rei Davi surge tocando harpa, com uma citação em latim do Salmo 150, 4: "Louvai-O com timbales e danças; louvai-O com cordas e órgão", na tradução.

Fontes: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro), 1981, e Guia dos Bens Tombados.

Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural

Mercado Central

 

Mercado Central

Foto: Alexandre C. Mota

Com mais de 400 lojas - um dos pontos comerciais mais procurados de Belo Horizonte - o Mercado Central recebe todos os dias da semana um público que consegue unir suas compras ao lazer e à diversão, percorrendo os corredores temáticos como o dos queijos, doce, artesanato, ervas, raízes, artigos religiosos, e as praças, como a da feijoada e a do abacaxi. Lado a lado com bancas coloridas de hortifrutigranjeiros sempre frescos, o visitante dispõe de um completo estoque dos mais variados produtos típicos da culinária mineira. Dentre os produtos mais procurados estão a goiabada, a cachaça da roça e o famoso queijo minas.

Os bares das entradas laterais lotam nos finais de semana, quando se transformam em ponto de encontro para moradores da capital mineira, disputando um lugar para comer tira-gosto de carne acebolada ou lingüiça e a cerveja sempre gelada. O letrista Fernando Brant, parceiro do compositor Milton Nascimento, assim define o local: "É uma festa para todos os sentidos, a síntese mais perfeita da cultura de Minas". Cerca de 15 mil pessoas passam diariamente pelos seus 13.442 m2.

A idéia de um mercado municipal está presente desde o início da história de Belo Horizonte. Em 1900, a prefeitura baixou um decreto que regulamentava o mercado da capital, com normas de higiene e organização. Para facilitar a vida dos tropeiros, o município providenciara ranchos e pastos fechados para os animais. No final daquele ano, foi inaugurado o Mercado Municipal, no local onde hoje está a Rodoviária. Foi construído todo em ferro e vidro, importados da Bélgica.

Com o crescimento da população, aquele mercado ficou pequeno. As 40 mil pessoas que moravam na cidade na época da sua inauguração se transformaram em mais de 120 mil quase 30 anos depois. Assim, no dia 7 de setembro de 1929, foi aberto o atual Mercado Central, na avenida Paraopeba, hoje Augusto de Lima.

O novo mercado atendeu os apelos de comerciantes e pequenos produtores das colônias agrícolas que existiam nos arredores da cidade. Em seu novo endereço, começava a traduzir as transformações que ocorriam em Belo Horizonte e na sociedade urbana da capital.

Nas décadas de 1950 e 1960, a comunidade comercial enfrentou uma crise com as disputas políticas e concessões sem critérios para lojas, o que levou a prefeitura a lançar o edital de privatização do mercado, em 1963. Para concorrer com a empresa japonesa Cotia, os feirantes se organizaram e formaram uma cooperativa. Liderados pelo lojista Olímpio Marteleto, conseguiram comprar o imóvel da prefeitura.

Uma pesquisa das pedagogas Ana Cristina Pereira e Danielle Leoni de Freitas radiografou a freqüência do mercado. Os visitantes de mais de 50 anos vão ao mercado para curtir a memória dos bons tempos. Para quem está na faixa dos 30 aos 40 anos, as compras, o bate papo e o encontro com os amigos são o maior motivo da presença. Já os mais jovens buscam diversão.

Em ensaio publicado no livro BH, História de uma Cidade Centenária, a geógrafa Ana Lucy Oliveira Freira ressalta o valor social do mercado. Segundo ela, a importância do Mercado Central para a cidade é menos econômica (lugar de abastecimento) e geográfica (ponto central de articulação espacial) e mais social, tendo caráter folclórico, pois guarda a tradição e os costumes de Minas .

Fontes: Os Primeiros 100 Anos (Ana Cristina Novato e Eduardo Costa, 1997, Gráfica e Editora 101), BH, História de uma Cidade Centenária (Organização Eduardo França Paiva, 1997, Faculdades Integradas Newton Paiva), Mercado Central (Fernando Brant, 2004 Conceito Editorial) e Belotur

Mineirão

Mineirão

Foto: Alexandre C. Mota

Com capacidade atual para 76.500 espectadores, o estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, foi inaugurado em 1965 e está localizado na região do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Ele é o principal palco do futebol em Minas Gerais. De seus gramados, despontaram para o cenário mundial do futebol craques como Tostão, Reinaldo, Toninho Cerezo, Dirceu Lopes e Ronaldo.

O projeto do estádio coube aos arquitetos Eduardo Mendes Guimarães Júnior e Gaspar Garreto. Em uma área construída de 300 mil metros quadrados, o Mineirão se ergue em 88 pilastras, dispostas na forma de uma elipse. Para a sua execução, a equipe responsável pesquisou vários estádios pelo mundo, entre eles o Maracanã, no Rio de Janeiro. Arenas no Japão, Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos também foram visitadas pelos técnicos. As obras começaram em 1963.

A partida inaugural aconteceu em 5 de setembro de 1965, entre a seleção mineira e o clube argentino River Plate. O jogo foi assistido por 73.201 pagantes, mas, na inauguração, cerca de 80 mil pessoas estiveram presentes. Antes do jogo, Bellini, capitão da seleção brasileira bicampeã do mundo no Chile, em 1962, deu uma volta olímpica pelo campo. A seleção mineira venceu o jogo contra os argentinos por 1 a 0, e o primeiro gol oficial do estádio foi marcado por Buglê, na época jogador do Atlético Mineiro. Sobre essa lembrança, o ex-jogador diz: "Para mim, vale mais que qualquer Copa do Mundo e vou guardá-la até o fim da vida".

O Mineirão recebe, anualmente, a visita de 100 mil turistas. No salão principal, há uma exposição de pôsteres de todos os times mineiros campeões, da era do amadorismo até os dias atuais. Na entrada do estádio, placas homenageiam os clubes do Brasil e do exterior que passaram por seu gramado. Em 1980, em terreno ao lado do estádio, foi construído um ginásio de esportes e eventos, batizado de Mineirinho.

Os dois times principais de Minas Gerais, Atlético e Cruzeiro, realizam suas partidas no Mineirão, em competições como os campeonatos Mineiro e Brasileiro, a Copa do Brasil ou a Libertadores da América. São clássicos que sempre atraem grande público ao estádio e dão grande projeção para a cidade.
Reinaldo, ex-jogador do Atlético, é o maior artilheiro da história do Mineirão, com 144 gols marcados. No livro Mineirão 40 Anos - Paixão e Emoção, lançado em 1995 por ocasião do 40º aniversário do estádio, ele diz: "O Mineirão me faz lembrar dos circos de Roma e do teatro Scala de Milão. O Mineirão é a comédia e a tragédia inseridas numa arena de futebol".

O músico Samuel Rosa, do grupo Skank e torcedor do Cruzeiro, diz, no mesmo livro: "O Mineirão e o futebol me aproximaram do meu pai, dos meus amigos, enfim, do mundo. Não estaria exagerando se dissesse que o estádio foi importante no meu processo de socialização".

O estádio está situado em um local que, originalmente, seria destinado à cidade universitária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cujo campus é vizinho. Em acordo com o governo federal e a UFMG, o então governador de Minas Gerais, José Francisco Bias Fortes, conseguiu a liberação do terreno para a construção do estádio, em 1960. Bem próximo, fica o complexo da Pampulha, projetado por Oscar Niemeyer e marco da moderna arquitetura brasileira.

Fontes: Administração dos Estádios de Minas Gerais (Ademg), Mineirão 40 Anos - Paixão e Emoção (Wagner Seixas e Alexandre Simões, 2005, Ademg), site Milton Neves e Belotur

Museu Abílio Barreto

Museu Abílio Barreto

Foto: Alexandre C. Mota

O Museu Histórico Abílio Barreto, em Belo Horizonte, foi fundado em 1941 e abriga o principal acervo documental da história da capital de Minas Gerais. São 27.250 itens, organizados em quatro grandes categorias: Objetos, Textual e Iconográfico, Fotográfico e Bibliográfico. A coleção retrata a formação e o desenvolvimento da cidade, de suas origens coloniais, até a contemporaneidade.

O historiador Abílio Barreto foi o idealizador e primeiro diretor do museu, que recebeu seu nome em 1968 - antes, era chamado de Museu Histórico de Belo Horizonte. Convidado em 1935 para organizar o arquivo da prefeitura, Abílio Barreto começou a reunir documentos, objetos, mapas e plantas. A criação do museu se deu por decreto de 1941, durante a gestão do então prefeito Juscelino Kubitschek.

O local escolhido para ser a sede da instituição foi a casa da antiga Fazenda do Córrego do Leitão, construída em 1883 - era o último edifício em pé do antigo arraial Curral del Rei, como era chamada Belo Horizonte antes de se tornar capital, em 1897.

Acervo de Objetos -  São 902 peças dispostas em 16 coleções. Entre elas, o próprio casarão oitocentista, quadros, esculturas, objetos decorativos, mobiliário, vestuário, utensílios domésticos e de uso pessoal.

Acervo Textual e Iconográfico - Compõe-se de 16.440 documentos, entre mapas, plantas e projetos arquitetônicos. Entre as raridades, está coleção de documentos da Comissão Construtora da Nova Capital, encarregada de fundar Belo Horizonte.

Acervo Fotográfico - Reúne aproximadamente 6.000 fotos, entre originais, cópias e negativos flexíveis e de vidro, organizadas em 11 coleções. São imagens obtidas a partir de 1894 e que ilustram o desenvolvimento urbano, dos costumes e das tradições de Belo Horizonte.

Acervo Bibliográfico - São cerca de 4.000 livros, periódicos, catálogos, fitas de vídeo, dissertações e recortes de jornais. Abrange, além da história de Belo Horizonte, outros temas ligados à história de Minas Gerais e do Brasil.

A partir de 1993, foi adotado um amplo projeto de revitalização do museu, visando transformá-lo num centro de pesquisa dinâmico e atualizado. O programa trouxe uma nova abordagem museológica em suas práticas culturais e um plano de gerenciamento de seu espaço físico, contemplando a restauração da antiga sede e a construção de uma nova, para atender às necessidades funcionais do museu em expansão.

Em dezembro de 1997, concluiu-se a obra do casarão, o que permitiu a sua valorização como importante peça do acervo institucional. No final do ano seguinte, inaugurou-se a nova sede no mesmo terreno. Em 2005, estabeleceu-se um novo cronograma de reformas. Os móveis para a reserva técnica foram instalados no anexo e o sistema de monitoramento climático e de segurança foi finalizado. A iluminação do museu e de todo o terreno também recebeu reformas.

O museu possui um auditório, uma loja, bar-café e restaurante. Na área externa, o projeto paisagístico integra o casarão e o edifício atual. Neste espaço, encontram-se um pequeno palco ao ar livre e o abrigo destinado a uma locomotiva a vapor e um bonde.

Fontes: Museu Abílio Barreto, Inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Secretaria de Cultura de Minas Gerais