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Igreja de Nossa Senhora do Carmo

 

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Foto: Alexandre C. Mota

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo fica no antigo largo do Pelourinho, em Mariana (MG), hoje praça Minas Gerais. Bem ao seu lado, está a igreja de São Francisco de Assis, proximidade considerada fato raro na história das construções religiosas. No largo, ainda existe o pelourinho, coluna em pedra para castigar escravos nos tempos do Brasil colonial.

O historiador francês Germain Bazin considera o templo como "um dos últimos belos exemplares do rococó em Minas Gerais". Segundo seus estudos, a fachada da construção é uma "interpretação simplificada" da igreja de São Francisco de Assis, que foi construída pelo arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, em Ouro Preto. Especialistas apontam a igreja de São Francisco de Assis como o melhor trabalho de Aleijadinho na arquitetura.

A igreja tem planta retangular, com a sacristia e o consistório (local onde os religiosos se reúnem) nas laterais. As torres redondas, em alvenaria, com sineiras também de pedra, retraem-se por trás de uma fachada reta. Em pedra-sabão azulada, o portal leva uma moldura sobre a qual se assenta o medalhão com os emblemas da Ordem Carmelita.

Internamente, logo à entrada existe um grande tapa-vento (espécie de biombo de madeira colocado diante das portas para proteger o ambiente). O teto ostenta pintura ornamental em painel, com moldura policromada, em concheados e guirlandas de flores. Representa Nossa Senhora do Carmo cercada por anjos e nuvens, entregando o escapulário (tiras de pano que certas ordens religiosas usam pendentes no peito) a são Simão Stock. O altar-mor possui imagem da padroeira no trono principal. Abaixo, surge santo Elias, e, à esquerda, santa Tereza de Ávila e são João da Cruz.

Instituída em Mariana desde 1751, a irmandade Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo se reunia originalmente na capela de São Gonçalo, enquanto aguardava a licença para construir o seu próprio templo. Em 1759, iniciou-se a construção de uma capela provisória, bastante simples, em taipa e com apenas uma torre central na fachada, sob a invocação do menino Deus, cujas obras já se encontravam praticamente concluídas no ano seguinte. A construção do templo definitivo teve início em 1784, com projeto de autoria de Félix Antônio Lisboa, meio-irmão de Aleijadinho - principal artista do período colonial brasileiro.

Em janeiro de 1999, um incêndio destruiu o tapa-vento, a pintura do teto da nave, os púlpitos, o piso de madeira, os altares laterais e o telhado, além de ter danificado várias imagens e o douramento do altar-mor. O edifício religioso passou então por uma recuperação de seu patrimônio. O telhado, forro e piso foram restituídos e um novo tapa-vento ocupou o lugar do original. Imagens e altares foram restaurados.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração MA/21 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM, 1973-1975) e Guia dos Bens Tombados (Organização Wladimir Alves de Souza, 1984, Editora Expressão e Cultura)

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Foto: Alexandre C. Mota

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, foi construída em 1766 e sua concepção seria um dos últimos trabalhos de Manuel Francisco Lisboa, morto um ano depois. Ele foi pai do escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, considerado o principal artista brasileiro do período colonial.

A obra apresenta, segundo pesquisadores, influência do trabalho de Aleijadinho, que no mesmo ano estava trabalhando na construção da igreja de São Francisco de Assis, também em Ouro Preto. Algumas soluções são semelhantes para os dois templos, como as escadarias de acesso ao púlpito, conforme destaca o historiador francês Germain Bazin.

A igreja possui características de dois períodos da arquitetura do século 18: traços tradicionais da primeira metade do período e curvas que remetem à religiosidade da segunda parte dos setecentos. Seu desenho remete à fase rococó da arquitetura colonial mineira (estilo caracterizado pelo uso abundante de curvas e de elementos decorativos como conchas, flores e laços).

O portal de entrada da igreja é atribuído a Aleijadinho, ainda que não exista prova documental. Traz o brasão da Ordem do Carmo, cercado por três querubins. Os altares laterais invocam santa Luzia, santa Quitéria, são João e Nossa Senhora da Piedade. Estes dois últimos, executados por Aleijadinho, apresentam relevos esculpidos nas urnas. O profeta Jeremias, na prisão, aparece retratado no altar de são João, enquanto no púlpito de Nossa Senhora da Piedade está representada outra cena bíblica, a paciência de Jó. Os relevos são cercados por inscrições alusivas aos temas.

Painéis de azulejos decoram as paredes inferiores da capela-mor, em temas relativos à iconografia da Ordem do Carmo. É o único exemplo em Minas Gerais de decoração azulejada. Normalmente, esse tipo de material era usada em construções de cidades litorâneas, importado de Portugal. Para chegar até Ouro Preto, os azulejos teriam que ser transportados desde o Rio de Janeiro em lombo de burro, o que deve ter custado muito ouro à Irmandade.

O altar-mor, desenhado em 1813 por Manuel da Costa Athaíde, o principal pintor colonial brasileiro, é exemplo de talha rococó. Especialistas filiam o trabalho a modelos das igrejas de Braga e Porto, em Portugal.

As imagens que guarnecem os altares da igreja do Carmo são, em sua maioria, de roca (imagens vestidas, tendo apenas o rosto e as mãos esculpidos, enquanto o corpo é formado por armação de madeira). Assim são as imagens que formam a seqüência dos Passos de Cristo: Nosso Senhor do Horto, Prisão, Açoites, Cana Verde (coração de espinhos), Ecce Homo e Senhor dos Passos (cruz às costas).

A igreja possui, em anexo, um cemitério de catacumbas, construído entre 1824 e 1868. Neste terreno, estão o antigo sobrado, de 1753, que abrigou a Casa do Noviciado e o acervo da Ordem. Em 1942, servia de moradia ao sacristão. Há também uma casa térrea contígua, construída em 1755, de pau-a-pique e pedra, destinada também a abrigar pertences da Ordem.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/46 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e Guia dos Bens Tombados - Minas Gerais (organização de Wladimir Alves de Souza, 1984, Editora Expressão e Cultura)

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Foto: Alexandre C. Mota

Com obras iniciadas em 1708, a igreja de Nossa Senhora do Rosário é uma das construções mais antigas de São João del Rei (MG) e iniciativa da associação denominada Irmandade do Rosário. Naquela época, o povoado ainda não havia sido elevado à condição de vila e atraía um número cada vez mais crescente de mineradores e comerciantes, interessados em explorar a riqueza do ouro, descoberto poucos anos antes na região. A conclusão do templo se deu em 1719, tendo recebido acréscimos e remodelações em 1753, quando ganhou a dimensão atual.

Na primeira construção, a torre dos sinos era separada da igreja. Depois, segundo historiadores, foi edificada uma torre no centro da fachada, que foi demolida em meados do século 19 por ameaçar a ruir. As duas torres atuais da igreja foram construídas nos anos 1930 e 1940.

Na fachada, a porta principal tem enquadramento de pedra e decorações simples, sendo ladeada por duas janelas com parapeito em ferro trabalhado e ornamentos florais. Uma abertura envidraçada, redonda, domina a parte superior da fachada, que termina com uma cruz de pedra. As torres laterais são quadrangulares, com sino do lado esquerdo e janelas alinhadas com aquelas da parte central.

Segundo o historiador francês Germain Bazin, a fachada da igreja de Nossa Senhora do Rosário representa duas épocas distintas. Na fachada, a parte baixa, mais antiga, recebe influências da igreja de São Francisco de Assis e do Carmo, enquanto o alto da frente e as torres seriam de época mais recente.

Na parte interna, merecem destaque as imagens de são Benedito, santo Antônio de Cantagerona, são João Evangelista, são Lourenço, são Libório e santo Tomás de Aquino, nos altares da nave principal. O forro da nave tem forma de abóbada. Há dois altares pintados de branco, destacando-se a talha (obras feitas com ferramentas em madeira). A sacristia é dividida em quatro cômodos, um deles para a subida ao púlpito e coro. Há uma capela com imagens de Nossa Senhora do Triunfo e de santo Antônio, este em tamanho natural.

O batistério foi transformado em uma capela decorada como gruta e com uma imagem de Nossa Senhora, com uma pia de pedra contendo torneira em forma de cabeça. O forro mostra-se dividido em três painéis com pinturas, formando desenhos geométricos e emblemas episcopais.

A igreja domina a praça Embaixador Gastão da Cunha, logradouro que forma seu pátio externo. Ao lado, estão os solares Tancredo Neves e Lustosa. A maioria das casas do entorno é térrea e apresenta as características da arquitetura residencial colonial, com fachadas de uma porta e duas janelas. No local, está um busto de um compositor da cidade, o padre José Maria Xavier.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981)

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

É um dos melhores exemplares de templos construídos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Minas Gerais e um dos principais bens históricos de Tiradentes.  A mais antiga igreja da cidade, guarda a devoção e a fé dos escravos que trabalhavam em sua construção nas noites de lua cheia.

A primitiva capela começou a ser construída provavelmente em 1708 e foi concluída em 1719. Ao longo do século foi passando por diversas modificações, quando a arquitetura e a decoração foram aprimoradas. 

Provavelmente, foi a partir de 1760 que passou por reformas na parte arquitetônica e decorativa. A construção foi refeita em alvenaria, e a posição do sino manteve a solução tradicional de Tiradentes, com a sineira incorporada ao corpo da igreja. Devido ao trabalho de cantaria, não apresenta aparência de fragilidade das capelas de adobe.

 A sobriedade da fachada com seu belo frontão terminado em duas robustas volutas de cantaria e o trabalho da portada, lhe conferem um ar imponente, apesar de não ser um templo de grandes proporções. Sobre a portada, colocada em um nicho, está a imagem de São Benedito, um dos mais populares santos negros na colônia.

 Completando o conjunto decorativo da capela-mor, o forro traz uma pintura ilusionista que representa São Francisco de Assis e São Domingos recebendo o rosário de Nossa Senhora. Provavelmente foi executado na primeira metade do século XIX. 

No coroamento do retábulo, há uma tarja com uma lua em baixo-relevo. A representação da lua junto a iconografias de Nossa Senhora tem como referências: a citação da representação da Virgem no Apocalipse - "um grande sinal apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, a lua debaixo dos pés, e uma coroa na cabeça" Ap 12, 1 ; a frase do Cântico dos Cânticos -  "Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, imponente como um exército com  bandeiras".

Os dois altares colaterais, com pouca talha são pintados em cores fortes, sendo o da direita dedicado a São Benedito e o da esquerda a Santo Antônio de Cartagerona ou do Noto, ambos santos negros. Estas peças são a interpretação provinciana do estilo D. João V e devem ser originárias da antiga capela.

O forro da nave é dividido em quinze painéis e suas pinturas representam os mistérios do Rosário e outros três se referem às invocações da ladainha de Nossa Senhora do Rosário.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro), 1981

Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural

Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais

Sabará

Igreja de Sant'Ana

Igreja de Sant'Ana

Foto: Alexandre C. Mota

Sua construção data presumivelmente da metade do século 18, uma vez que a alvenaria de pedra empregada na sua estrutura não é comum às edificações religiosas das primeiras décadas daquele século.

A capela apresenta planta composta de dois cortes retangulares, correspondentes à nave e à capela-mor e à sacristia. Possui estrutura de alvenaria de pedra, fachada simples e porta principal almofadada em belo desenho e encimada por ornato em também em pedra.

A nave é composta por paredes em alvenaria, sem revestimento, o que confere um aspecto de austeridade à capela. A capela-mor possui um único retábulo em talha policromada em tons claros, realçada por elementos em dourado.

A imaginária apresenta peças de boa qualidade, como o conjunto composto por Sant'Ana, São José e São Joaquim, disposto no trono da padroeira, duas imagens da Virgem e uma bela imagem de São Miguel Arcanjo. Na sacristia, encontra-se antigo oratório com a imagem de Sant'Ana Mestra.

Fonte: Revista Barroco.

Igreja de Santa Efigênia

Igreja de Santa Efigênia

Foto: Alexandre C. Mota

A igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto, foi construída por fiéis em 1733. Localizada no alto de um morro, a construção pode ser vista à distância e se destaca na paisagem urbana. É o templo ao qual está ligada a lenda de Chico Rei, tradição popular que atravessou os séculos.

O poeta Manuel Bandeira, em seu Guia de Ouro Preto, narra assim o início da história de Chico Rei: Francisco, rei africano, foi aprisionado e vendido para escravo com toda a sua tribo. A mulher e os filhos, menos um, morreram na travessia do Atlântico. Os sobreviventes foram encaminhados às minas de Ouro Preto. Chico Rei conseguiu alforria para ele, seu filho, para outro escravo e assim sucessivamente. Casou e fez sua nova mulher rainha. Tomou a imagem de santa Efigênia como padroeira e restabeleceu danças e costumes africanos. No dia 6 de janeiro, era realizada uma missa cantada e, logo em seguida, os fiéis saíam às ruas dançando ao som de instrumentos africanos. Era o reinado do Rosário, festas imitadas em todos os arraiais de Minas, narra Bandeira. A lenda de Chico Rei foi filmada por Walter Lima Jr., em Chico Rei (1985), com Severo d'Acelino, no papel-título, além de Antônio Pitanga, Anselmo Vasconcelos e Cláudio Marzo.

A igreja de Santa Efigênia também é chamada de Rosário do Alto da Cruz do Padre Faria. Era uma espécie de refúgio dos negros escravos, cuja irmandade, de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, admitia brancos para participar das missas. Desavenças internas obrigaram os brancos a se mudar para a capela do Padre Faria, em 1740. Uma vez instalados, os brancos não permitiram a entrada de negros.

A igreja só ficou pronta em 1785, conforme marca a data gravada no pedestal da cruz em cima da fachada. Segundo o historiador francês Germain Bazin, a planta da igreja de Santa Efigênia visa à obtenção de formas mais elegantes e funcionais. A supressão dos corredores laterais ao longo da nave indicava um período de evolução da arquitetura religiosa mineira. Atribui-se a autoria da planta, sem confirmação, a Manuel Francisco Lisboa, pai de do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A imagem da Virgem do Rosário revela influência do trabalho de Aleijadinho. Nos altares, surgem as invocações a santa Rita, santo Antônio Noto, são Benedito e Nossa Senhora do Carmo. Foram concebidos segundo o estilo d. João 5º, do Porto, barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, segundo Germain Bazin. A igreja possui, na entrada, a pia de pedra onde as mulheres negras lavavam os cabelos empoados de ouro antes de entrar. O ouro escorrido era deixado como donativo. A capela-mor traz painéis a óleo com representações de são Domingos e são Francisco aos pés do Cristo crucificado.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana  - Dossier de Restauração OP/147 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais

Igreja de São Francisco de Assis

 

Igreja de São Francisco de Assis

Emoldurada por palmeiras imperiais e cercada de jardins, com torres circulares de sinos e ornamentos esculpidos em pedra-sabão, a igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei, é um dos mais belos cenários oferecidos aos visitantes pelo circuito das cidades históricas de Minas Gerais. Coube à irmandade denominada Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em 1772, a iniciativa de construir uma nova igreja-sede, em substituição à capela original, então em ruínas. A obra ficou pronta em 1804.

No cemitério da Ordem Terceira, ao fundo da igreja, Tancredo Neves, presidente da República eleito, foi sepultado em 1985. Nascido em São João del Rei, ele era um dos integrantes da irmandade, fundada em 1749. Associações formadas por leigos, as ordens e irmandades tiveram um papel decisivo na formação de Minas Gerais, pois no período colonial estava proibida a presença do clero regular pela Coroa portuguesa. As ordens e irmandades desempenhavam diversas atividades religiosas e foram responsáveis pela construção de igrejas, como a de São Francisco. Tinham caráter assistencialista e de ajuda mútua entre os indivíduos que dela faziam parte denominados de irmãos.

A entrada principal da igreja de São Francisco apresenta, no alto, um acabamento com guirlandas de flores e cabeças de anjos, coroado por dois adornos em espiral sobre os quais se assentam os anjos. Na fachada, vê-se ainda um medalhão, com o escudo de Portugal, de um lado, e, de outro, uma composição com a cruz de são Francisco. Um terceiro medalhão mostra Nossa Senhora da Conceição em meio a guirlandas de flores e fitas. Duas grandes janelas laterais e uma abertura envidraçada completam a parte inferior do conjunto.

Na parte superior, surge a figura de São Francisco, recebendo os estigmas de Cristo no monte Alverne, isto é, as cicatrizes deixadas em seu corpo pela crucificação, de acordo com a tradição religiosa. Em 1224, na região da Toscana, Itália, Francisco rezava fervorosamente quando Cristo apareceu em suas orações e deixou impressos em seu corpo os sagrados estigmas da Paixão.

Atribui-se o projeto do templo ao arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o mais importante artista do período colonial brasileiro. Entretanto, há polêmica entre os estudiosos sobre essa autoria por carência de documentação, de acordo levantamentos como o Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais, da Fundação João Pinheiro. Baseado em análises estilísticas e comparativas, Lúcio Costa afirma que o projeto é seguramente de Aleijadinho, apresentando grande semelhança com o restante da obra.

No interior do templo, merecem destaque o conjunto de talhas da capela-mor (talhas são obras de arte feitas em madeira), os seis altares da nave e os púlpitos, apresentando nítida influência da escola de Aleijadinho. A capela-mor possui composição em relevo com representação da Santíssima Trindade, com as figuras do Pai, do Filho e do Espírito Santo em madeira policromada sobre nuvens e cabeças de anjos. Nas paredes laterais, telas representam a Santa Ceia e a Traição de Judas. Um dos púlpitos traz a cena da Anunciação e as figuras de são João e são Lucas, contendo inscrições com os nomes de cada um. No outro, estão representados o Padre Eterno e as figuras de são Mateus e são Marcos.

Depois de ser elevada à categoria de vila em 1713, São João del Rei cresceu em importância, sendo escolhida para a sede da nova Comarca do Rio das Mortes, criada em 1714. Viu ampliado também seu espaço urbano, com a construção de expressivas edificações civis e religiosas. Surgiram nessa época as igrejas de Nossa Senhora do Rosário, a nova Matriz de Nossa Senhora do Pilar, a igreja do Carmo, a de Nossa Senhora das Mercês e a de São Francisco de Assis, cuja origem remonta ao ano de 1749.

Fontes: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981), Dicionário Histórico Brasil Colônia e Império (Angela Vianna Botelho e Liana Maria Reis, 2001), São João del Rei na História de Minas e do Brasil (Editora Expressão e Cultura, 1986) e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Igreja de São Francisco de Assis

Igreja de São Francisco de Assis

Foto: Alexandre C. Mota

A igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, é considerada, por vários especialistas, a obra-prima da arte colonial brasileira. A concepção e a execução estão associadas ao nome de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, responsável pelo projeto arquitetônico e pela soberba fachada principal, além dos púlpitos, do lavabo da sacristia e das talhas dos altares da nave. Também grandiosa, a pintura do forro da nave coube a Manuel da Costa Athaíde.

Vista de frente, com seu desenho arredondado, a igreja apresenta duas torres igualmente arredondadas, uma novidade para a época. As torres abrigam os campanários e aparecem coroadas por grandes flechas que apontam para o céu. Um medalhão circular esculpido e o portal dominam o centro da fachada, que acolhe ainda duas grandes janelas. Vista de perfil, a igreja mostra a disposição distinta de cada corpo do edifício: as torres, as naves e a capela-mor.

Com mais de mil adeptos em meados do século 18, a Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis encomendou a obra para abrigar um templo próprio. Os trabalhos começaram em 1766, pela capela-mor, que levou cinco anos para conclusão. Em seguida, veio a cobertura (abóbada), entre 1772 e 1774, época em que também ocorreu sua ornamentação em talha e estuque, sob a direção de Aleijadinho. No mesmo período, o artista terminou os púlpitos em pedra-sabão. Em seguida, vieram a fachada principal (frontispício) e os telhados.

Em 1794, a Ordem Terceira recebeu a obra pronta, em alvenaria. Entre 1801 e 1812, Athaíde trabalhou na pintura e douramento da capela-mor, com exceção do teto, assim como a pintura do forro da nave e alguns painéis. Quanto aos altares da nave, também projetados por Aleijadinho, sua construção se arrastou por mais de 60 anos, entre 1829 e 1890.

O portal de entrada, com sua composição ornamental, revela a genialidade de Aleijadinho. A ornamentação consiste em dois anjos e dois brasões contendo as armas franciscanas e as do reino de Portugal. Localizado na parte superior, o medalhão traz a Virgem, de mãos postas. Entre os brasões e o medalhão, vê-se o braço estigmatizado de são Francisco e o braço do Cristo. O conjunto é encimado pela coroa de espinhos. Os brasões são arrematados por asas de anjos, flores de girassol e rosas, atributos de Maria. Em seu livro O Aleijadinho e a Escultura Barroca no Brasil, o historiador francês Germain Bazin comenta: "A plástica desse conjunto, onde tudo parece oriundo das mãos do artista, é amplamente tratada de maneira monumental".

A igreja possui as primeiras obras de Aleijadinho como escultor de baixos-relevos, cujas datas estão documentadas. São os púlpitos. Representam o tema da pregação de Cristo na barca e o do profeta Jonas sendo lançado ao mar. No primeiro, aparecem os evangelistas Mateus e Lucas, na lateral; no outro, João e Marcos.

Na pintura do forro da nave, Athaíde retratou o tema da Glorificação da Virgem no medalhão central, em óleo. Nos quatro cantos da abóbada, figuram em púlpitos os doutores da igreja (os santos Ambrósio, Jerônimo, Gregório e Agostinho), assistidos cada qual por um anjo que lhes oferece material de escrita. São também de sua autoria os painéis que decoram a nave e a capela-mor, com temas relativos à iconografia da Ordem Franciscana, assim como as barras de pintura imitando azulejos com episódios da vida de Abraão.

Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/47 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975

Igreja de São Francisco de Paula

Igreja de São Francisco de Paula

Foto: Alexandre C. Mota

A igreja de São Francisco de Paula fica no morro da Piedade, um dos pontos mais altos de Ouro Preto, com as serras do pico do Itacolomi ao fundo e uma bela visão panorâmica da cidade. A iniciativa de sua construção se deve à congregação dos fiéis de são Francisco de Paula, constituída desde 1780 e instalada originalmente na capela de Nossa Senhora da Piedade. O templo se tornou insuficiente para conter o número de fiéis, o que levou, em 1804, à decisão de construir uma igreja de maiores proporções.

As obras se estenderam até 1908, pois foram diversas vezes interrompidas por falta de recursos financeiros da irmandade. A capela-mor levou mais de 30 anos para ficar totalmente pronta. A igreja de São Francisco de Paula, construída por quase todo o século 19, mantém as características da arquitetura do período oitocentista, sem fugir do projeto original. Planta e fachada repetem padrões da arte religiosa de Ouro Preto.

Internamente, o conjunto de talhas é de boa qualidade e bastante homogêneo. Constitui exemplo do padrão de rococó mineiro (estilo marcado por uso abundante de curvas e elementos decorativos, como conchas, laços e flores) já tardio, por ser fim do século 18. A igreja possui seis altares, com invocação a são Francisco de Sales, Nossa Senhora da Conceição, são Miguel, santo Antônio, são Geraldo e Nossa Senhora da Consolação. O altar-mor tem imagens de roca de são Francisco de Assis e santa Mônica. No teto da capela-mor, está representado, em dois painéis, Jesus com a Samaritana, a mulher que conversou com Cristo no deserto e divulgou o encontro com o Messias.

O destaque entre as imagens é a estátua de são Francisco de Paula, no trono, atribuída ao escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A escadaria de acesso à igreja possuía quatro estátuas de louça, feitas em Portugal, com representação dos quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João.

No livro de registros, estão os termos de visita do imperador d. Pedro 2º, que esteve na igreja durante sua passagem por Ouro Preto para inaugurar o terminal ferroviário, e, também, da princesa Isabel.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/145 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975; n'O Livro das Religiões (Jostein Gaarder, Victor Hellern e Henry Notaker, Editora Companhia das Letras, 2005) e no Barroco Mineiro - Glossário de Arquitetura e Ornamentação (Coleção Mineiriana, Fundação João Pinheiro, 1996)

Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Foto: Alexandre C. Mota

A igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas, teve sua construção iniciada em 1757, por iniciativa do imigrante português Feliciano Mendes, minerador e pedreiro, como agradecimento a uma graça alcançada. Muito doente, Feliciano prometeu dedicação à imagem, caso recuperasse sua saúde. Localizado no alto do morro Maranhão em lugar de destaque na paisagem, o templo domina o conjunto do santuário formado por mais seis capelas.

À frente da igreja, estão as 12 estátuas dos profetas, esculturas em pedra-sabão de autoria do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, consideradas suas obras-primas.

A edificação apresenta fachada branca, recortada no corpo central por um grande portal ornamentado (portada) e duas janelas do coro. Duas torres de sino enquadram a composição, rematadas por cúpula de base quadrada. O historiador francês Germain Bazin atribui o desenho da portada a Aleijadinho. A planta da igreja apresenta torres ligeiramente recuadas e supressão dos tradicionais corredores ao longo da nave.

O interior traz decoração rica e graciosa do período rococó da arte mineira. Entre 1765 e 1769, o entalhador Jerônimo Felix Teixeira fez os retábulos do cruzeiro, concluídos em 1772 por Manuel Rodrigues Coelho. A pintura e douramento são de autoria dos pintores João Carvalhais (altar de Santo Antônio) e Bernardo Pires da Silva (altar de São Francisco de Paula). O retábulo-mor foi entalhado por João Antunes de Carvalho, simultaneamente à execução do respectivo altar, entre os anos de 1769 e 1775.

Complementam a decoração da capela-mor dois anjos tocheiros de autoria de Francisco Vieira Servas, em 1778, e quatro relicários, de uma série executada por Aleijadinho e seus colaboradores e pintada por Manuel da Costa Athaíde. Na nave, destacam-se como elementos decorativos dois dragões orientais (porta-lâmpadas) e os curiosos animais do arremate inferior dos púlpitos.

Convivendo em harmonia com o trabalho de talha, destaca-se a pintura rococó, de autoria de renomados artistas do período. Um deles é Bernardo Pires da Silva, responsável pela pintura do forro da capela-mor, executada entre 1773 e 1775. Destaca-se também a pintura do forro da nave e de uma série de painéis da igreja, de autoria de João Nepomuceno Correia e Castro, datada do período 1778-1787.

Finalmente, em 1790, foram concluídas as obras do adro e escadarias. Em 1800, dez anos após a conclusão do adro, Aleijadinho iniciou a execução dos 12 profetas, cujas obras se deram em duas etapas, com encerramento em 1805.

O desenho da igreja foi inspirado em dois importantes santuários localizados ao norte de Portugal, o Bom Jesus de Matosinhos, nos subúrbios da cidade do Porto, e Bom Jesus de Braga, próximo à cidade do mesmo nome. O monumento passou por diversas obras de restauração nas últimas décadas. Em 1974, o local recebeu jardins do paisagista Burle Marx.

Fontes: Baseado em trabalho realizado em 1990 pelo Setor de Tombamento do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), 1990; Dossiê de Tombamento Municipal do Centro Histórico de Congonhas (1996);  Secretaria de Turismo de Congonhas e Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais (Organização de Wladimir Alves de Souza, 1984, Editora Expressão e Cultura)