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Turismo

Casa da Glória

Casa da Glória

Foto: Alexandre C. Mota

Cartão postal de Diamantina, a Casa da Glória é um conjunto com duas residências e o Passadiço, símbolo da cidade na campanha junto à Unesco. O Passadiço é obra posterior às casas, datado de 1878.

A Casa da Glória, do lado direito da rua, pertenceu à Coroa portuguesa e foi residência, a partir de 1813, dos intendentes, que realizavam grandes festas no local. Em 1867, passou a funcionar como educandário feminino, da ordem de Nossa Senhora das Dores.

A casa em frente foi construída em 1850, como projeto de ampliação do educandário e orfanato.

Hoje, a Casa da Glória faz parte do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais. No seu acervo, estão documentos, fotos e objetos de época.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Diamante (Fundação João Pinheiro), 1978.

Casa de Bárbara Heliodora

Casa de Bárbara Heliodora

Foto: Alexandre C. Mota

Este sobrado colonial de São João del Rei (MG) do final do século 18 tem valor histórico por ter pertencido a Alvarenga Peixoto - poeta e participante da Inconfidência Mineira - e sua mulher Bárbara Heliodora, ambos nascidos na cidade. O prédio fica na praça Frei Orlando, quase em frente à igreja de São Francisco de Assis, e abriga atualmente o Museu de São João del Rei.

À sua mulher, de beleza legendária, ele dedicou alguns dos versos mais conhecidos da poesia brasileira, presença obrigatória nas antologias:

Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente, 
triste, somente
as horas passo
a suspirar.

Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira nasceu em 1759. Alguns autores acrescentam à sua biografia a atividade de poeta, embora apenas o poema Conselhos a Meus Filhos tenha ficado como documentação de sua obra. Morreu aos 60 anos, em 1819, vítima de tuberculose, moléstia comum em sua família.

A data mais provável do nascimento de Inácio José de Alvarenga Peixoto é 1744. Ele estudou direito na Universidade de Coimbra e seguiu carreira na magistratura portuguesa, tendo sido juiz na cidade de Sintra. Retornou ao Brasil como ouvidor da comarca do Rio das Mortes. Casou-se com Bárbara em 1781 e tiveram quatro filhos.

Alvarenga Peixoto formou com Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, de quem era primo, o trio de maior expressão do arcadismo mineiro, corrente literária de expressão no século 18. Eles participaram da Inconfidência Mineira (1789), o mais importante movimento de oposição contra a Coroa portuguesa, em virtude dos abusivos impostos cobrados da colônia.

O modo indiscreto de se expressar levou Alvarenga Peixoto a ser considerado um dos líderes da revolta. Embora ocupasse cargo de importância e tivesse bens e propriedades, acabou endividado e incapaz de pagar seus impostos - caminho natural para se aliar aos inconfidentes. Foi o autor da sugestão de colocar na bandeira de Minas Gerais o lema "libertas quae sera tamen" (liberdade ainda que tardia, na tradução), expressão tomada de empréstimo do poeta latino Virgílio.

Ao ser preso em decorrência da Inconfidência Mineira, em 1789, Alvarenga Peixoto negou sua participação na rebelião. Foi condenado à morte por enforcamento, mas teve a pena comutada para degredo perpétuo em Angola, onde morreu em 1793. Após a Inconfidência Mineira, os seus bens foram confiscados pela Coroa portuguesa, mas Bárbara conseguiu manter seu direito sobre a metade da propriedade. Assim, a casa permaneceu ligada aos seus herdeiros e foi conservada como residência durante o século 19.

Localizada próxima à igreja de São Francisco de Assis, a casa foi adquirida pela prefeitura, que ali instalou o Museu de São João del Rei e a Biblioteca Municipal. O acervo do museu compõe-se de telas, fotos, utensílios domésticos de época e imagens. Entre as peças, destaca-se o Braço da Justiça, vindo de Portugal. Na peça, uma mão pende a balança da arrecadação do dízimo de ouro usado na Casa de Fundição de São João del Rei.

Fontes: Baseado em Maria de Fátima Silva Gouvêa, in Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000) e Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981)

Casa de Câmara e Cadeia

Casa de Câmara e Cadeia

Foto: Alexandre C. Mota

Um das mais imponentes sobrados da arquitetura colonial de Minas Gerais, a Casa de Câmara e Cadeia, em Mariana, foi projetada em 1768 e ficou pronta em 1795. Além de funções administrativas e legislativas, o local funcionou também como casa de fundição de ouro e senzala. Hoje, é a sede da Câmara Municipal de Mariana. Está localizada na praça Minas Gerais, em frente às igrejas de São Francisco de Assis, de Nossa Senhora do Carmo e de um pelourinho, usado para punir escravos durante o Brasil colonial.

O edifício ostenta seis janelões no andar superior, ladeando o portal decorado de entrada, ao qual se chega por uma ampla escadaria em quatro lances. Parapeitos maciços e corrimão de pedra-sabão fecham as escadas. Sobre o portal, surge o brasão imperial, que veio substituir as armas de Portugal no século 19.

Os janelões trazem molduras curvas e balcões de pedra, além de parapeitos de ferro trabalhados. Uma pequena torre com sino desponta sobre o telhado tipo quatro águas (cobertura em quatro planos). Na fachada, os elementos decorativos usam pedra-sabão azulada, formando belo contraste com o branco de cal das paredes. Uma moldura (cornija) percorre elegantemente todo o edifício, erguido em planta retangular e estrutura de alvenaria e cal.

Internamente, o pavimento térreo traz piso em lajes e paredes espessas. Está dividido em três compartimentos, tendo um arco de separação em cada um. Os três cárceres eram destinados respectivamente aos presos brancos, negros e às mulheres. No andar superior, os pisos são em tábuas largas e a área aparece dividida em três salões na frente e cinco salas ao fundo, onde funcionavam os serviços da câmara. O acesso aos cárceres se fazia por meio de alçapões.

Construiu-se o prédio no local onde anteriormente ficavam os quartéis dos Dragões (o exército no período colonial) instalados em Mariana. Coube ao Senado da Câmara de Mariana (espécie de executivo e legislativo da época) a iniciativa de sua construção, cuja autorização definitiva foi dada em 1782.

Nos fundos da Casa de Câmara e Cadeia, fica a capela do Senhor dos Passos, construída em 1793 e sem uso religioso. A maior parte das peças originais do mobiliário da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana desapareceu. Restou algum mobiliário, como as cadeiras de jacarandá, que se encontram no Rio de Janeiro, no Museu da Chácara do Céu, em Santa Tereza.

Fontes: Inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Prefeitura de Mariana e Câmara Municipal de Mariana

Casa de Chica da Silva

Casa de Chica da Silva

Foto: Alexandre C. Mota

Típico exemplo da arquitetura mineira do século 18, foi residência de Chica da Silva e de seu amante, o contratador João Fernandes de Oliveira. Eles teriam morado no local entre 1763 e 1771.

A ex-escrava Chica da Silva (?-1792) viveu com Oliveira (1720-1779) por 15 anos e teve 13 filhos com ele. As leis na época não permitiam casamento entre pessoas de origens diferentes, por isso nunca oficializaram a relação.

Atualmente, na Casa, exposições em painéis e pinturas contam a história de Chica e do local.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Diamante (Fundação João Pinheiro), 1978.

Casa do Baile

 

Casa do Baile

Foto: Alexandre C. Mota

Construção de 1943, a Casa do Baile, em Belo Horizonte, integra o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. É a única edificação do conjunto construída dentro da lagoa, em uma ilhota artificial acessível por uma ponte. No local, há também um auditório e um pequeno palco, circulado por um lago. Os jardins levam a assinatura do paisagista Burle Marx.

Sobre a presença marcante das linhas arredondadas, Niemeyer explicou, certa vez: "Fiz a marquise da Casa do Baile em curva, que às vezes explicava, dizendo para melhor me fazer entendido, que elas seguiam as curvas da ilha, mas na verdade era o elemento plástico que me interessava".

Pelo projeto original, a idéia era fazer do local um centro de festas e eventos para a classe média, mas acabou freqüentado pela elite da cidade. Com a proibição do jogo, em 1946, o Cassino, que funcionava no atual Museu de Arte, foi obrigado a fechar as suas portas, do outro lado da lagoa. Com o movimento reduzido na Pampulha, até então uma área sem vias de ligação fáceis com o centro da cidade, a Casa do Baile também se viu obrigada a paralisar suas atividades.

Um dos marcos da arquitetura modernista brasileira, o Conjunto da Pampulha foi uma iniciativa do então prefeito da capital mineira, Juscelino Kubitschek (1902-1976). Em 1942, ele convidou Niemeyer para elaborar um centro de lazer junto ao lago artificial do novo subúrbio da cidade. Junto com a Casa do Baile, ergueram-se outras três unidades: igreja de São Francisco de Assis, Iate Clube e o Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha.

A construção do complexo da Pampulha lançou o prefeito e o arquiteto no cenário nacional. Belo Horizonte ganhara respeito por ter se tornado uma cidade que projetava o futuro. Sobre isso, o escritor Fernando Sabino escreveu em Lugares-Comuns: "Às vezes, cruzando calmamente a rua, transeunte como outro qualquer, com seu sorriso de simpatia já irresistível, o prefeito Juscelino - a prefeitura era ali perto naquele tempo, e se não me engano ainda é. Tempo de Pampulha, do Niemeyer, da arquitetura moderna. Brasília nasceu ali". Em 1955, JK foi eleito presidente da República e convidou Niemeyer para projetar a nova capital federal, inaugurada em 1960.

Após o seu fechamento, em 1946, a Casa do Baile serviu para eventos da família de JK. Anos depois, foi reaberta, arrendada como restaurante, e chegou a funcionar como depósito da prefeitura. Hoje, abriga o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, espaço destinado a exposições sobre esses temas, e expõe imagens e dados da região da Pampulha.

Fontes: Juscelino Prefeito (Museu Histórico Abílio Barreto, 2002) e Belotur

Casa do Padre Toledo

Casa do Padre Toledo

Padre Carlos de Toledo, vigário da Freguesia de Santo Antônio de São José del-Rei, teve ação destacada na Conjuração Mineira. Segundo tradição oral, os conjurados se reuniam na sua casa, onde, no salão, havia um altar diante do qual os revoltosos juravam fidelidade à causa.

Com o fracasso da revolta, o padre Toledo se escondeu na serra de São José, sendo posteriormente capturado e exilado para Lisboa, onde ficou preso na Fortaleza de São Julião e depois num convento, onde veio a morrer em 1804.

Sua casa em Tiradentes era considerada uma das melhores da época, com tetos decorados em estilo rococó, em temas mitológicos ao gosto dos poetas árcades mineiros.

O mobiliário era igualmente de qualidade, assim como a prataria, quadros, louças de Lisboa e da Índia e uma valiosa e extensa coleção de livros.

Em 1880, um grupo de republicanos visitou a casa do padre Toledo que, à época, acreditava-se ser a casa de Tiradentes, e realizou ali uma sessão cívica e de propaganda da República. Foi sede da prefeitura a partir de 1930.

Em 1971, a Câmara Municipal entregou o imóvel à Fundação Rodrigo Melo Franco de Andrade, que instalou Museu Padre Toledo, com acervo recolhido no Museu da Inconfidência, Museu Regional de São João del-Rei, Casa da Baronesa (Ouro Preto), além de peças doadas por particulares.

A residência possui 18 cômodos. Destaque para a sala dos Cinco Sentidos, que representa o olfato, o paladar, o tato, a audição e a visão. O acervo da casa conta com a tela de são Mateus, pintada por Manuel da Costa Athaíde, além de outros objetos produzidos pelo artista.

Está lá também o quadro que retrata d. Pedro 2º aos 15 anos. Alfaias, mobiliário, imaginárias e oratórios fazem parte do patrimônio da casa.

Fontes: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro), 1981, e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e Guia dos Bens Tombados: Minas.

Catedral da Sé (Nossa Senhora da Assunção)

Catedral da Sé (Nossa Senhora da Assunção)

Foto: Alexandre C. Mota

Um dos mais antigos templos de Minas Gerais, a catedral de Nossa Senhora de Assunção, em Mariana, tem origem em 1703, quando se verificava a grande afluência de paulistas e portugueses atraídos pela descoberta do ouro na região, em fins do século 17. Mais conhecida como Sé de Mariana, sua principal riqueza está no interior, que apresenta um dos mais significativos conjuntos de talhas (obras de arte esculpidas na madeira mediante instrumentos como o cinzel) do período colonial.

Segundo o historiador francês Germain Bazin, a suntuosa decoração arquitetônica da capela-mor comprova o alto grau de refinamento atingido pelos arquitetos de Minas em meados do século 18. Uma das atrações é o órgão alemão Arp Schnitger, construído em 1701 e incorporado à Sé em 1753.

O altar-mor exibe, bem ao centro, uma tela com a representação da Assunção da Virgem. Os altares laterais da nave, com exceção do de Santa Bárbara, são do mesmo estilo do altar-mor, incluindo detalhes decorativos como atlantes (estátua em figura de homem). Esses altares são consagrados a são João Evangelista, são Pedro, são Francisco, Senhor dos Passos e santa Bárbara, santa Luzia e santo Antônio.

A igreja apresenta duas falsas cúpulas na capela-mor e dois enormes retábulos (tipo de ornamento em madeira, geralmente atrás do altar): um, em louvor de Nossa Senhora do Rosário e, outro, dedicado a são Miguel e Almas. Ambos pertencem ao estilo Brito, novo estilo barroco introduzido em Minas por Francisco Xavier de Brito na capela-mor de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.

No batistério, um painel representa o batismo de Cristo, de autoria atribuída a Manoel da Costa Athaíde, principal pintor do período colonial brasileiro. Os serviços de pintura dos forros da nave e capela-mor foram executados por Manuel Rabelo de Souza, em 1760. Arredondado, o teto da nave mostra pintura em fundo branco com armas imperiais. O teto da capela-mor é constituído por duas abóbadas, apoiadas em arcos pelos quatro lados. Ambas são integralmente recobertas por pinturas, onde sobressaem figuras religiosas.

Vista de fora, a Sé tem um traçado arquitetônico modesto e sóbrio, lembrando algumas construções jesuíticas do litoral do Brasil. Construída em pedra e cal, a fachada (frontispício) é simples e pesada, predominando a simplicidade das linhas retas, sem, contudo, oferecer a grandiosidade de muitos dos templos do período colonial. Sobre o portal da fachada, aparecem duas janelas com balcões e parapeitos, e, logo acima, as duas torres para os sinos.

Inicialmente, no começo do século 18, quando aquele povoamento se chamava ainda vila do Carmo, a Sé era apenas uma capelinha, iniciativa dos bandeirantes. A Coroa portuguesa determinou que se erguesse ali uma matriz, em razão da importância que a futura Mariana havia assumido na mineração do ouro. Em 1713, iniciaram-se as obras de construção, com aproveitamento da capela original, que se tornou a sacristia da nova igreja. Em 1745, a vila do Carmo foi elevada à categoria de cidade e a antiga matriz se viu escolhida como a nova catedral pelo bispo de Mariana, d. Frei Manuel da Cruz. Por volta de 1930, todo o piso da nave, que era de campa (pedra de sepultura), foi substituído por ladrilhos, inclusive o dos corredores, onde se acham os altares laterais.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração MA/24  (Fundação João Pinheiro, Instituto Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM, 1973-1975), Sé de Mariana e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

Chafariz de Marília

 

Chafariz de Marília

Foto: Alexandre C. Mota

O chafariz de Marília, em Ouro Preto, leva este nome pelo fato de estar situado próximo à casa onde morou Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, celebrada em versos pelo poeta português Tomás Antônio Gonzaga, ouvidor da antiga Vila Rica e um dos líderes da Inconfidência Mineira. Em 1789, ano em que fazia planos para se casar com Maria Dorotéia, Gonzaga foi preso junto com os demais inconfidentes e acabou condenado ao degredo em Moçambique, em 1792.

O local onde fica o chafariz de Marília passou a se chamar praça de Dirceu, nome com o qual Gonzaga assinava os seus apaixonados poemas. À direita do chafariz, por uma pequena ladeira, chegava-se à casa de Maria Dorotéia e à sede da Ouvidoria. "Nesta morou o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, cuja figura surge em nossa imaginação, como se estivesse ainda na última sacada de onde avistava a noiva, que por sua vez o avista da terceira janela da sua", escreveu o historiador Diogo de Vasconcellos.

O monumento é considerado um dos mais importantes e bem compostos chafarizes do Brasil. Instalado num paredão, tem as dimensões de 5x6 metros. O corpo principal é emoldurado por pilastras com ornamentos laterais em forma de espiral (volutas). Também ornamentada, a bica conta com quatro ramais - a água jorra da boca de quatro carrancas de bronze e cai em uma pia raiada. No paredão, destacam-se ainda duas falsas janelas, situadas além do contorno das pilastras. Figuras de conchas aparecem em várias partes da composição.

A construção do chafariz começou em 1759, por iniciativa do Senado da Câmara de Vila Rica, órgão local da administração portuguesa. Na concorrência pública, as obras foram arrematadas pelo arquiteto Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Há a hipótese, não confirmada por prova documental, da participação de Aleijadinho nos ornatos de pedra-sabão que guarnecem o monumento.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/238 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975; Maria de Fátima Silva Gouvêa, In: Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808, direção de Ronaldo Vainfas (Editora Objetiva, 2000)

Chafariz de São José

 

Chafariz de São José

Foto: Alexandre C. Mota

O chafariz de São José é uma das construções mais importantes do gênero no País. Foi construído em 1749, por iniciativa do Senado da Câmara da Vila de São José.

O protótipo desse exemplar se encontra em Ericeira, em Mafra, Portugal, peça, entretanto, que não apresenta a monumentalidade do chafariz de Tiradentes.

Instalado numa área que passou por tratamento paisagístico de Burle Marx, em 1983, o chafariz foi construído com o intuito de abastecer a população da época de água.

A obra possui três faces, a frente para bebedouro, a direita para lavagem de roupas e a esquerda para uso de animais. A fachada possui três carrancas, decorada com o brasão da Coroa Portuguesa e com uma imagem de são José das Botas.

Uma lei previa punição a quem utilizasse o chafariz de forma inadequada. Aos negros que foram encontrados amolando machados, foices, facas, nas pedras dos tanques do chafariz, a pena era açoite ou reclusão. Ainda hoje é possível ver os desgastes causados no tanque do chafariz por essa prática.

Fonte: Baseado no Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro), 1981, e no inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Ouro Preto

Chafariz do largo de Frei Vicente Botelho

 

Chafariz do largo de Frei Vicente Botelho

Foto: Alexandre C. Mota

O chafariz do largo de Frei Vicente Botelho, em Ouro Preto, foi construído a mando do Senado da Câmara de Vila Rica, órgão local da administração portuguesa. Não há data precisa do início das obras. É retangular, feito de pedra, ladeado por duas pilastras que se unem na parte superior por uma verga. No centro, uma cruz de cimento dá o acabamento. A bica está no centro do quadro, dentro de um losango em depressão.

Frei Vicente Botelho foi um dos participantes do grupo que organizou a Sedição de Vila Rica (atual Ouro Preto), revolta que estourou em 1720 contra as casas de fundição. Junto com o minerador Filipe dos Santos, organizou focos de rebelião contra Portugal, que no ano anterior proibira a circulação de ouro em pó. O mineral deveria ser fundido para que o quinto fosse cobrado no momento da fundição. O grupo chegou a fazer um acordo com o governador Pedro de Almeida, conde de Assumar (título nobre criado pelo então rei de Portugal, d. Pedro 2º), mas foi enganado. Todos acabaram presos e punidos. Filipe dos Santos foi condenado à forca em 16 de julho de 1720.

A principal conseqüência da chamada Revolta de Filipe dos Santos foi a criação da capitania de Minas Gerais, separada da de São Paulo para facilitar o controle das vias de acesso à região mineradora e evitar a evasão de ouro.

Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/299 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000)